O presidente da distrital de Dallas do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos), Richard Fisher, criticou o modo como o Brasil tem conduzido a política econômica e alertou que o programa de alívio monetário nos EUA pode ter criado significativos desequilíbrios no mercado financeiro.

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Comentando sobre os mercados emergentes, Fisher voltou a dizer que os países que mantiveram a economia em ordem estão melhor preparados para lidar com a saída de liquidez ocasionada pela redução do programa do Fed.

E, para isso, ele citou a aprovação de reformas estruturais no México como um feito marcante. “Uma vontade política unificada para fazer o que é no melhor interesse da nação é algo raro de se encontrar nesses dias, e algo que Washington pode apenas sonhar. Outras nações, como o Brasil, podem estar indo na direção oposta”, afirmou.

Em texto preparado para discurso na Cidade do México, Fisher também disse sobre o Brasil que “os consumidores podem ter que desalavancar, o que irá diminuir o crescimento. O governo também pode ter que controlar os gastos” Já a perspectiva de crescimento menor e um enfraquecimento no mercado de trabalho devem fazer com que os bancos brasileiros provavelmente apertem as condições de empréstimos, complementou.

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No entanto, Fisher se disse mais preocupado com os impedimentos estruturais para o crescimento econômico do Brasil no longo prazo. “Durante esse tempo de excepcional liquidez e crédito barato, e apesar de uma década de altos preços das commodities e de um boom nas exportações, o Brasil falhou em avançar com mais reformas no mercado”, declarou.

Como contraponto, Fisher citou o México como um bom exemplo para os mercados emergentes. “O México parece melhor posicionado que muitos outros países em termos de exposição ao risco”, afirmou, ao classificar o setor bancário como “saudável”.

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Fisher também alertou para o fato de a política de estímulos do Fed estar incentivando a tomada de riscos, em um comportamento semelhante ao observado antes da crise de 2008. “Com suas grandes compras de ativos, o Fed está distorcendo os mercados financeiros e criando incentivos para gestores e players do mercado tomaram riscos maiores, alguns dos quais podem resultar em lágrimas”, afirmou Fisher.

Fisher, que tem direito a voto nas decisões de política monetária do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc), há tempos se opõe ao programa de compra de ativos. Dessa vez, Fisher disse que o Fed deve continuar com a redução nas compras de ativos e eliminar o programa por completo o quanto antes, dentro do possível.

O presidente do Fed de Dallas disse acreditar que a autoridade monetária encontrará modos para normalizar o balanço e conter as pressões inflacionárias. Fonte: Dow Jones Newswires.