Gerson Klaina/O Estado
Bandeiras estavam variando de R$ 20 a R$ 40 dependendo do ambulante e da negociação do torcedor.

Uma partida de futebol e algumas dezenas ou centenas de reais a menos entre faixas e bandeiras. Quem vende, conhece bem a tão conhecida compra por impulso que, em uma final de campeonato como a Copa do Brasil, faz os preços de tais artigos oscilarem até 50% de uma esquina a outra. A ponto da mesma bandeira de time, feita de tecido de qualidade duvidosa, valer de R$ 20 a R$ 40 dependendo do ambulante e, principalmente, do poder de negociação do torcedor.

“Paguei R$ 30 na bandeira e R$ 170 na camiseta, mas vale a pena”, revela o recepcionista e estudante de Turismo, Farah de Freitas, de 20 anos, que há sete anos mora em Dubai, capital dos Emirados Árabes Unidos. “Marquei minhas férias para conseguir chegar ao Brasil a tempo de ver meu time disputar a final da Copa do Brasil. Minha família toda torce pelo Coritiba, pena que não conseguimos ingresso, mas vamos nos reunir para assistir ao jogo em algum bar”. O tamanho do investimento é compatível ao placar que ele imagina para o jogo, 3×0 para o Coritiba.

Do time adversário, a estudante de Direito Adriane dos Santos, que seguia de carro para a aula na faculdade, comprou uma bandeira por R$ 40. “Já que tenho que ir para a faculdade, pelo menos carrego a bandeira para dar sorte”, justifica a vascaína, que acredita em 2×0 para o Vasco na partida final.

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Depois do jogo, Gaúcho seguirá para o Uruguai vernder bandeiras.

Gastar com bandeiras não é tão representativo para quem segue o time em uma final. A torcedora aguerrida Márcia Maria da Silva e o marido Pedro Marcelo Soares, integrantes da Torcida Organizada do Vasco (TOV), vieram do Rio de Janeiro (RJ) por acreditarem que o time carioca conquistará o campeonato. Eles calculam que cada um deve ter gasto entre R$250 e R$300 só entre deslocamento, hospedagem e alimentação. “Vale tudo por esse momento, até vir de bicicleta do Rio para Curitiba”, afirma a Márcia. O marido dela chegou a pensar em fazer o trajeto a pé e de carona para prestar uma homenagem ao time. “Não consegui sair do Rio na quinta, por isso desisti do projeto”, conta Soares.

Segundo os ambulantes que fizeram a festa nesta quarta-feira (8), os dias de final de campeonato chegam a triplicar o faturamento de dias de jogos normais. Tanto que muitos se deslocam conforme o cronograma dos campeonatos. Não foi difícil encontrar vendedor paulista e gaúcho, que veio para a capital paranaense, por conta do lucro da final. A mesma movimentação também ocorre daqui para lá. “Amanhã partirei para o Uruguai, pois no domingo será outro dia bom de vender para os santistas”, conta o vendedor Éderson dos Anjos, conhecido como Éderson Gaúcho, que reside em Curitiba.

Para ganhar no volume, Éderson resolveu trabalhar o preço das bandeiras entre R$ 20 e R$ 25 para a final entre Coritiba e Vasco. “Outra estratégia que tenho é vender de apenas um time, no caso, o Coritiba”, explica o vendedor, que há 10 anos percorre o país para garantir sua renda que varia entre R$ 1mil e R$ 2 mil. “Varia muito com a fase do campeonato”, explica. Somente hoje, das 8h às 17h, ele já havia vendido cem bandeiras e centenas de faixas. “Até o final do jogo devo vender no mínimo mais cem bandeiras”, estima Anjos, prevendo faturar até R$ 1 mil com o jogo de hoje. “Não troco essa vida por um emprego com carteira, horário fixo, mas que me impede de conhecer diversos lugares e, muitas vezes, nem reconhece o trabalho dos funcionários”, comenta o vendedor.