O fim da chamada taxa das blusinhas, sancionado na semana passada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, deve acelerar a migração de fábricas brasileiras para o Paraguai. A previsão é do diretor-executivo da Associação Brasileira do Varejo Têxtil (Abvtex), Edmundo Lima, que vê aumento da pressão sobre empresas nacionais, ameaça a empregos e redução de investimentos no varejo de moda. As informações são da Gazeta do Povo.
A cobrança de um imposto de 20% sobre produtos importados de até US$ 50 foi suspensa em meio à alta desaprovação de Lula às vésperas da eleição de outubro. Segundo Lima, cerca de 200 empresas já abriram unidades no Paraguai nos últimos anos e outras devem seguir o mesmo caminho.
Muitas outras do setor irão para lá, especialmente as que estão instaladas no Sul e Sudeste, mais perto da fronteira. A alta carga tributária e os custos trabalhistas já estimulavam a migração, mas o novo cenário pode ampliar o movimento. Operar no Paraguai pode reduzir os custos das empresas em cerca de 30%.
Lupo e Karsten já instalaram fábricas no país vizinho
Entre as companhias que já se instalaram no Paraguai estão a Lupo, que investiu R$ 30 milhões em uma fábrica em Ciudad del Este, e a catarinense Karsten, que inaugurou uma unidade em Guazú. Para a Abvtex, a perda também alcança o varejo, que pode frear investimentos diante da concorrência estrangeira.
No começo do ano, havia uma expectativa de aporte de R$ 100 bilhões no varejo e criação de empregos. Estes investimentos estão congelados, afirmou Lima. A entidade também prevê menor arrecadação de impostos, já que a queda das vendas nas lojas brasileiras reduz os tributos recolhidos pelo setor.
Setor prevê risco a mais de 800 mil empregos diretos
A atividade econômica do segmento de vestuário já registra retração de 8,2% em julho na comparação com o mesmo mês do ano anterior. Isso já coloca em risco mais de 800 mil empregos diretos, afirmou o dirigente citando que o setor de moda e confecção emprega 2,3 milhões de trabalhadores entre indústria e varejo.
A Abvtex pretende pressionar o governo e o Congresso pela revisão da medida, prevista para três meses. O protesto se somará aos realizados pela Confederação Nacional do Comércio de bens, Serviços e Turismo (CNC), que vê risco a aproximadamente 100 mil empregos no varejo nacional.
