O fim da jornada de trabalho 6×1 pode aumentar os custos de serviços públicos e privados em até 20%, segundo entidades setoriais. A mudança deve pressionar os cofres das prefeituras e elevar os preços ao consumidor em áreas como transporte, segurança e limpeza. As informações são da Gazeta do Povo.
Projeções indicam que a passagem de ônibus pode subir até 8%. As empresas de transporte estimam alta de 15% nos custos operacionais totais. Como metade das despesas do setor é com folha de pagamento, a mudança na jornada exigiria novas contratações para manter a frota circulando todos os dias, encarecendo o serviço.
Prefeituras precisariam gastar R$ 1,5 bilhão a mais por ano
A Confederação Nacional dos Municípios estima que apenas as prefeituras precisariam desembolsar R$ 1,5 bilhão a mais por ano. Seriam necessárias cerca de 26 mil novas contratações diretas para cobrir escalas em setores essenciais como educação e saúde. Além disso, os contratos já existentes de limpeza e segurança precisariam de renegociações bilionárias para custear mais funcionários.
Setores como segurança privada e limpeza operam de forma contínua, ou seja, não podem parar. Com a redução da carga horária semanal para 40 horas, as empresas precisariam contratar mais gente ou pagar horas extras para cobrir a mesma escala de vigilância ou coleta de lixo. Estima-se que esses custos operacionais subam pelo menos 20% após as novas regras.
Consumidor pode pagar mais caro no dia a dia
Os impactos indiretos são os aumentos que não aparecem de imediato na folha de pagamento, mas surgem na renegociação de contratos. Se uma empresa privada que limpa hospitais públicos tem seu custo elevado por lei, ela repassará esse valor para o governo. No fim, quem financia esses custos extras é o contribuinte através do pagamento de impostos.
Segundo entidades comerciais como a CACB, existe risco de inflação gerada por essa medida. Quando o custo do trabalho sobe por obrigação legal, as empresas raramente conseguem absorver o gasto sozinhas. O caminho comum é repassar o aumento para os preços finais de produtos e serviços. Nesse cenário, o consumidor acaba pagando mais caro pelo que consome no dia a dia.
