Economia

Fim da escala 6×1 pode elevar custos de empresas em até 20%

Imagem mostra um homem em uma obra carregando um capacete, um EPI de construção.
Foto: Depositphotos

O fim da escala 6×1, aprovado no Senado nesta quarta-feira (14), pode ampliar a crise financeira das empresas brasileiras e trazer uma nova onda de recuperações judiciais, extrajudiciais e falências já em 2027. O custo da folha de pagamento pode subir até 20% para negócios que operam com jornada de 44 horas, conforme projeção do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre). As informações são da Gazeta do Povo.

Pelo texto aprovado, a jornada máxima semanal será reduzida das atuais 44 para 40 horas, com dois dias de descanso remunerado por semana. As empresas terão 60 dias após a promulgação da emenda constitucional para adotar a escala 5×2, em que se trabalha cinco dias e se folga dois, e limitar a jornada a 42 horas semanais. Doze meses depois, o limite cairá para 40 horas. Dependendo da data da promulgação, os primeiros impactos devem chegar às empresas já no início de 2027.

Na avaliação do setor produtivo, o choque de custos não cabe nas margens das companhias e tende a ser repassado aos preços, convertido em demissões ou, no limite, em fechamento de empresas. Apenas a criação da segunda folga remunerada acrescenta 9,1% nos custos com trabalhadores com carteira assinada, apontaram entidades empresariais em posicionamento conjunto divulgado na semana passada.

Empresas endividadas enfrentam momento delicado

A mudança atinge as empresas em um momento delicado, com endividamento das famílias em nível recorde, juros elevados e desaceleração da atividade. Em julho, 9,2 milhões de empresas estavam inadimplentes, o maior número desde 2016, com dívidas de R$ 238,6 bilhões, segundo a Serasa Experian. A pressão financeira também aparece nos indicadores de insolvência: o estoque de empresas em recuperação judicial cresceu 6,2% no primeiro semestre, enquanto o país registrou 55 recuperações extrajudiciais até outubro, o terceiro maior número da série histórica, iniciada em 2004.

Setores intensivos em mão de obra presencial e cobertura de seis a sete dias por semana estão entre os mais expostos. Comércio varejista e supermercados, bares, restaurantes e hotelaria, serviços de segurança e limpeza, clínicas e hospitais privados, além de moinhos, metalúrgicas e frigoríficos devem sentir o impacto primeiro. Para a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a redução da carga para 40 horas, sem cortar salários, encarece a produção em até R$ 267,2 bilhões.

Negociação coletiva e tecnologia são alternativas

Apesar das restrições jurídicas e operacionais, as empresas têm alternativas para se adaptar à redução da jornada. Entre elas estão a negociação coletiva de condições de trabalho e a adoção de diferentes modalidades de contratação, respeitadas as exigências legais de cada uma. Acordos com sindicatos podem viabilizar sistemas de compensação de horas e escalas diferenciadas, como a jornada 12×36, desde que respeitados os limites legais aplicáveis.

Outras possibilidades incluem automatizar tarefas repetitivas e aprimorar o planejamento das equipes. Nos supermercados, por exemplo, o mapeamento da demanda por faixa horária pode ajudar a dimensionar o número de empregados em cada turno, reforçando as equipes nos períodos de maior movimento e ajustando a operação nos horários de menor procura.

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