A fila de caminhões rumo ao Porto de Paranaguá, no litoral do Estado, alcançou 30 quilômetros pela BR-277, na manhã desta quarta-feira (9). O principal complicador para a demora no descarregamento de soja, milho e trigo continua sendo o tempo instável, com chuvas esporádicas ao longo do dia.

Conforme explica a Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa), com chuva todo o processo é paralisado e, com a instabilidade verificada nos últimos dias, o porto mal consegue retomar a operação quando uma nova parada é necessária.

Como consequência disso, nos últimos dias, o carregamento nos navios está bem mais lento do que o normal. A média de carregamento em Paranaguá é de 100 mil toneladas de grãos por dia. Na última segunda-feira (7), por exemplo, foram embarcados apenas 22 mil grãos. Um navio com 60 mil toneladas que geralmente leva 36 horas para ser plenamente carregado, tem levado um período de cinco dias.

Controle defasado

O diretor regional da Associação Nacional de Transportes de Cargas e Logística (NTC), Walmor Weiss, concorda que a chuva é um problema para a operação do Porto de Paranaguá. Mas indica que a Appa deveria intensificar o controle das cargas para amenizar a situação. “O que precisa é um controle maior e melhor da saída e da chegada desses caminhões. Essa programação é que não está funcionando”, analisa.

A demora no embarque e no transporte, principalmente da soja nessa época do ano, cuja safra se estende até o mês de maio, encarece o produto exportado pelo Paraná, na avaliação de Weiss. “Para que a chuva não atrapalhe, devíamos ter uma cobertura para o embarque da carga, como existe em outros portos. Pagamos agora a conta de investimentos que estão sendo pedidos a muito tempo e que o novo governo ainda não teve tempo de dar conta”, afirma Weiss.

O aumento no congestionamento de caminhões para chegar a Paranaguá começou no dia 27 de fevereiro, permanecendo até a última sexta-feira (4), quando a melhora no tempo e uma concentração de esforços permitiu que a Appa regularizasse a operação do porto. No entanto, a chuva voltou e, com ela, mais fila, desde o último domingo (6).