Fiesp prevê criação de até 120 mil vagas este ano em SP

O diretor-adjunto do Departamento de Economia da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Walter Sacca, estimou que a indústria paulista deve gerar entre 110 mil e 120 mil empregos este ano, o que equivale a um aumento de 4% em relação ao patamar registrado em 2009. Ele observou que a criação de 1.500 postos de trabalho em outubro deve ser vista com reserva, uma vez que, embora exista um bom crescimento no mercado de trabalho, o fato pode ser um pouco ilusório, pois a base de comparação com o ano passado é fraca. “Os dados atuais não representam tranquilidade. A indústria está patinando”, comentou.

De acordo com a Fiesp, em outubro, dos 22 setores analisados pela entidade em relação à geração de empregos, 13 exibiram resultados positivos, o menor número desde dezembro de 2009, quando apenas quatro segmentos tiveram bom desempenho. “Esse fato sinaliza que está avançando o processo de desindustrialização no País.” A Fiesp apontou que a desindustrialização é um fenômeno caracterizado pela redução da participação relativa da indústria de transformação no PIB.

De acordo com o diretor titular do Departamento de Economia da Fiesp, Paulo Francini, a parcela da indústria de transformação no PIB já chegou a 27%, mas atualmente está em 15%. Sacca apontou que vários fatores colaboram para a desindustrialização no País, entre eles o câmbio valorizado, os juros elevados e a competição acirrada de produtos manufaturados fabricados em outros países. O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, chegou a apontar recentemente, em evento da Fiesp, que empresários do setor de máquinas e equipamentos estão deixando de comprar peças de fornecedores nacionais para adquiri-las no exterior. Para Walter Sacca, esse tipo de atitude não caracteriza que alguns dirigentes de companhias estão colaborando com a desindustrialização, mas utilizando os instrumentos disponíveis para reduzir custos e sobreviver.

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