O coordenador do Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S), Paulo Picchetti, manteve nesta segunda-feira, 9, a estimativa de uma taxa de inflação de 0,80% para o indicador da Fundação Getulio Vargas (FGV) do fim de fevereiro.

Em entrevista ao Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, ele afirmou que continua com a expectativa de que alguns dos fatores que pressionaram o índice de janeiro percam força aos poucos no mês atual, com a possibilidade de uma desaceleração mais importante na segunda quadrissemana de fevereiro.

Na primeira leitura do mês, o IPC-S registrou taxa de 1,63%, conforme divulgação realizada nesta segunda-feira pela FGV. O resultado representou uma alta menor que a de 1,73% verificada no fim de janeiro. “Pelo menos, já iniciou um processo de desaceleração”, comentou Picchetti.

De acordo com o coordenador, alguns dos vilões de janeiro, como as passagens de ônibus, a tarifa de energia elétrica e o aumento das mensalidades escolares, devem mostrar altas gradualmente menores no decorrer de fevereiro. “Se estes três fizerem a parte deles, o impacto vai começar a sair aos poucos do índice e dar uma boa aliviada na inflação”, disse.

Na primeira leitura de fevereiro, a alta menor do item Tarifa de Eletricidade Residencial, de 7,12%, ante variação positiva de 9,41% no fim do mês passado, já foi um bom exemplo. Com isso, o avanço do grupo Habitação passou de 2,01% para 1,69%.

O item Tarifa de Ônibus Urbano, por sinal, saiu de um aumento de 9,18% para uma elevação de 9,07% entre o fim de janeiro e o começo de fevereiro. No entanto, a alta do grupo Transportes acelerou, de 2,39% para 2,82%, sob influência importante da gasolina, que saiu de uma queda de 0,40% para um avanço de 0,92%.

O grupo Educação, Leitura e Recreação iniciou fevereiro com um aumento de 3,51% ante alta de 4,15% do fim de janeiro. Refletiu, por exemplo, o comportamento da parte de Cursos Formais, cuja variação positiva foi de 6,54%, ante 8,30%.

Para Picchetti, a grande incógnita do mês continua sendo o grupo Alimentação, que ainda reflete fatores sazonais ligados ao clima, apesar de ter mostrado desaceleração na alta, de 1,64% para 1,44% entre o término de janeiro e o começo de fevereiro.

“Fica como o fiel da balança. Tudo porque é o grupo mais difícil de prever, é o mais volátil e o que tem esta história de clima totalmente inusitado atualmente”, comentou, acrescentando que há exemplos, como o preço da carne bovina, de altas menores (0,40% ante 1,23%), além de itens, como a batata, já subindo menos nas pesquisas mais recentes da FGV.

Segundo o coordenador, é justamente a volatilidade da Alimentação que pode evitar que a previsão de 0,80% para a inflação geral de fevereiro se confirme, mas há uma confiança para que isso aconteça. “Para chegar a este número, tem um longo caminho, mas ele já começou”, destacou.

“Finalmente, o índice reverteu a aceleração, como já se esperava. Isso (desaceleração) vai continuar até o fim do mês e o que pode afastar o IPC-S da projeção é só a parte de alimentos com essas histórias contraditórias”, comentou.