A despeito da aceleração que levou o Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) a uma taxa de 0,77% na primeira quadrissemana de dezembro ante uma inflação de 0,65% no fim de novembro, o coordenador do indicador, Paulo Picchetti, manteve a projeção de uma taxa de 0,70% para o fim do mês atual. Em entrevista ao Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado, ele disse que optou pela manutenção em virtude das pesquisas de ponta que trazem um cenário um pouco menos pressionado e que ainda vai ser captado nas próximas divulgações do indicador da Fundação Getulio Vargas (FGV).

“Se pegarmos os itens que mais contribuíram para a aceleração na primeira quadrissemana, temos basicamente a energia elétrica, a batata-inglesa e a gasolina”, comentou Picchetti. “A vantagem é que todos eles estão desacelerando na ponta”, adiantou.

Conforme a FGV, o item Tarifa de Eletricidade Residencial subiu 4,46% na primeira quadrissemana de dezembro (ante 3,73% no fim de novembro) e liderou o ranking de pressões de alta do começo do mês atual. Foi seguido pelos aumentos da batata inglesa (52,30% ante 58,80%) e da gasolina (2,33% ante 1,90%).

Segundo Picchetti, a soma do avanço de todos estes itens representou 0,06 ponto porcentual da aceleração de 0,12 ponto porcentual do IPC-S. “Na ponta, a batata já está com uma alta inferior a 20%”, comentou. “O mesmo movimento vale para gasolina e eletricidade e, com isso, deve haver algum recuo (desaceleração) na inflação até o fim do mês”, destacou.

Para o coordenador do IPC-S, o grande vilão da inflação atualmente é o segmento de Carnes Bovinas, cuja alta foi de 3,76% na primeira quadrissemana de dezembro ante elevação de 3,05% no encerramento de novembro. Somado ao avanço observado no segmento de Hortaliças e Legumes (13,12% ante 10,67%), este comportamento foi fundamental para que a Alimentação tivesse um avanço de 0,88% no começo do mês atual ante variação positiva de 0,65% do término do mês anterior.

Na avaliação de Picchetti, a esperança mesmo em relação ao comportamento do IPC-S no decorrer do mês está ligada aos itens citados na ponta, já que a carne não indica que terá algum arrefecimento. “Eu não acredito que a carne reverta o quadro até fim do mês”, disse.

Fora da Alimentação, o grupo Habitação, do qual faz parte a energia elétrica, e o grupo Transportes, que contém a gasolina, são os outros coadjuvantes de destaque. No primeiro, a alta passou de 0,83% para 0,89% entre o fim de novembro e o começo de dezembro. No segundo, o avanço passou de 0,62% para 0,74%.

A despeito de acreditar na desaceleração do IPC-S para o nível de 0,70% no encerramento de dezembro, Picchetti salientou que o cenário atual de inflação está bem longe do considerado ideal. “Confirmada essa projeção, o ano fecharia em 6,8%”, lamentou.