O Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) provavelmente registrará deflação também em julho, de acordo com o coordenador de análises econômicas do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas, Salomão Quadros. O motivo é a expectativa de continuidade para as causas para a deflação de 0,32% em junho, principalmente para a queda dos preços do minério de ferro captadas pelo índice, que deve se aprofundar.

De acordo com Quadros, a redução de 12,91% nos preços do minério de ferro em junho inclui os efeitos dos “primeiros contratos” de reajuste do produto em nível global. “Há contratos e contratos negociados no mundo e até que o novo referencial de preços se espalhe no Brasil, leva um período que não sei precisar”, disse. “São esperadas reduções de 35% a 45% nos preços do minério de ferro em dólar e consideramos os preços em reais”, afirmou Quadros.

Ele acredita que o câmbio diminua seu efeito nos preços. Considera que a valorização do real em junho já foi menor que em maio e tende a diminuir este mês. O diesel, item com o segundo maior peso no Índice de Preços por Atacado (IPA), também terá redução a ser captada em julho, já que a estimativa é de queda de 10% no preço das distribuidoras e em junho apenas -5,82% foram captados.

Quadros também vê “boas chances” de deflação do IGP-DI acumulado em 12 meses até julho. O motivo é que em julho de 2008, o índice foi de 1,12% e é um mês que sairá da conta enquanto deve entrar um mês de deflação. No acumulado de 12 meses até junho, o IGP-DI ficou em 0,76%.

De forma similar, o IPA, que nos 12 meses até junho teve deflação de -1,72%, deve aumentar ainda mais a deflação para o período de 12 meses até julho. Em julho de 2008, o IPA foi de 1,28% e esse resultado sairá da conta para a entrada do índice deste mês, em que o minério de ferro, o diesel e o câmbio devem levar o índice a continuar em deflação. “O auge do efeito do câmbio foi em maio, o do diesel foi em junho e o do minério de ferro (na deflação do IPA e do IGP-DI) será agora em julho”, disse Quadros.

Razões da deflação

A valorização do real, a queda de preços do minério de ferro e do óleo diesel explicam a volta da deflação no Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) em junho, depois de dois meses de taxas positivas no índice, avalia o coordenador de análises econômicas do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Salomão Quadros. O câmbio baixou 5,23% em junho em comparação com maio, o minério de ferro teve queda de 12,91% e o óleo diesel no atacado caiu 5,82%. “O câmbio afeta todos os setores, alguns com mais força que outros”, observou Quadros. Ele lembrou também que o diesel tem o segundo maior peso no Índice de Preços por Atacado (IPA), que, por sua vez, é o componente de maior peso no IGP-DI.

De acordo com ele, a queda de 14% no preço do diesel nas refinarias determinada pela Petrobras e válida a partir de 10 de junho, combinada a um aumento da contribuição sobre combustíveis Cide, deve levar a uma queda próxima de 10% nas distribuidoras, dos quais 5,82% já foram captados pelo IPA. Essa queda já contribuiu com redução de 0,19 ponto porcentual no IPA.

Como o diesel havia subido 0,18% em maio, teve maior influência para explicar a mudança do IGP-DI positivo em maio, também de 0,18%, para a deflação de -0,32% em junho. “O diesel é responsável por quase 40% da desaceleração do IPA (de -0,10% em maio para -0,64% em junho)”, disse Quadros.

Já considerando o mês de junho isoladamente, a maior influência de queda foi do minério de ferro, de 0,21 ponto porcentual, que no mês anterior já tinha o seu preço reduzido em 5,92%. “Até maio, as reduções de preço do minério de ferro eram por causa do câmbio. Em junho, começaram a aparecer as quedas por renegociação de contratos”, disse.

De acordo com ele, boa parte das quedas nos preços dos produtos industriais e dos bens intermediários ainda são consequência da crise econômica. “É um efeito defasado. É a adequação de preços como o diesel e o minério de ferro à uma situação trazida pela crise meses antes”, afirmou. Ele observou que o diesel não tem reajustes periódicos e que a Petrobras evita reajustar no ritmo das variações do mercado alegando diminuir a volatilidade de preços.