A retração de 2,0% no Indicador Antecedente Composto da Economia (IACE) para o Brasil em março é a quinta queda mensal consecutiva e sinaliza uma clara tendência de desaceleração da economia brasileira, segundo o economista do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Paulo Pichetti. “Esse movimento sinaliza uma perspectiva de desaceleração generalizada, refletindo no PIB, na indústria e no mercado de trabalho, por exemplo”, afirmou o especialista.

Ele apontou que os componentes ligados às expectativas foram os que mais pesaram para o recuo do IACE em março. “Dos oito componentes do IACE, três são ligados a expectativas: do consumidor, da indústria e de serviços”, explicou. “Esses índices não só vêm caindo, como atingiram mínimas históricas nos últimos meses”, ressaltou Pichetti.

Quanto ao ligeiro avanço de 0,3% do Indicador Coincidente Composto da Economia (ICCE) no mês passado, o economista do Ibre relativizou a alta dada a fraca base de comparação e pontuou que a elevação de março não representa uma mudança de tendência. “Olhando uma perspectiva temporal maior, nos acumulados de 6 ou 12 meses, a variação do ICCE é negativa”, afirmou. “Isso significa que no quadro de volatilidade mês a mês as variações positivas não têm sido suficientes para compensar as negativas.” Os dados do IACE e do ICCE de março foram divulgados na manhã desta quinta-feira, 16, pela FGV em parceria com o The Conference Board.