O FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) fechou 2003 com uma arrecadação líquida recorde: R$ 4,584 bilhões. O valor é o 70% maior que o obtido em 2002 -R$ 2,7 bilhões – e o melhor resultado anual desde 1995. Arrecadação líquida é a diferença entre os depósitos e os saques feitos ao Fundo. Em 2003, os depósitos somaram R$ 24,956 bilhões, enquanto os saques atingiram R$ 20,372 bilhões.

Apesar do alto índice de desemprego registrado em 2003, o governo diz que o resultado do FGTS pode ser explicado pela alta da formalização (registro em carteira) no mercado de trabalho.

O Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), que é a pesquisa mensal realizada pelo Ministério do Trabalho sobre o mercado formal, registrou até novembro a geração de 945.351 postos de trabalho. O ministério diz ainda que o resultado foi afetado por ações de fiscalização nas empresas.

A arrecadação líquida do FGTS não inclui os valores recolhidos com as contribuições criadas pelo governo Fernando Henrique Cardoso para pagar os expurgos inflacionários do FGTS. Essa receita vai para um caixa específico para o pagamento das perdas relativas aos planos Verão e Collor 1.

O resultado do FGTS em 2002 já tinha sido comemorado pelo governo por ser recorde. Em relação ao ano anterior, a arrecadação líquida apresentara um crescimento de 17,3%, saindo de R$ 2,3 bilhões para R$ 2,7 bilhões.

Entre 1997 e 1999, o Fundo amargou déficits sucessivos. O pior saldo negativo foi verificado em 97, quando os saques superaram os depósitos em R$ 704 milhões. No ano anterior, ou seja, em 1996, a arrecadação tinha sido positiva em R$ 512 milhões.