A decisão da indústria do fumo de manter os preços da safra 2006/2007 congelados, anunciada na última terça-feira, 30, em Porto Alegre, foi recebida pela Fetraf-Sul – Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar dos Três Estados do Sul – como um desrespeito aos fumicultores. ?É uma desvalorização do trabalho da agricultura familiar?, disse o coordenador da Fetraf-Sul no Paraná, Marcos Rochinski. ?Ao se recusar a negociar, simplesmente anunciando preços e impondo condições, as fumageiras assumem que controlam toda a cadeia produtiva, tratando os agricultores como empregados, que não têm o direito de negociar a própria renda?, complementou.

Rochinski convoca os fumicultores a participarem das atividades da Fetraf- Sul na semana que vem, para definir o plano de lutas da entidade na cadeia produtiva do fumo. ?Se os agricultores estiverem dispostos, lideraremos uma ampla mobilização para garantir a valorização do seu trabalho?, concluiu.

Lucro aumenta e área plantada diminui

O setor fumageiro arrecadou mais de R$ 11 bilhões em 2006, sendo o cigarro responsável por mais de 74% deste total. O reajuste de 10% praticado nos preços do cigarro, no final de 2006, aponta para um crescimento de R$ 1 bilhão em 2007. Somando-se a redução do contrabando e das falsificações, a estimativa é de que o setor deve faturar mais de R$ 13 bilhões neste ano. Nas lavouras a área plantada nesta safra reduziu em 15%, demonstrando a insatisfação dos agricultores com os rendimentos. A Fetraf-Sul recomenda uma redução para, no mínimo, 30% como forma de valorizar o produto.