O Federal Reserve, o Banco Central norte-americano, decidiu manter os juros básicos do país. Os juros estão em 1% ao ano desde a última reunião do comitê monetário do Fed, realizada em 25 de junho. Na época, o banco havia reduzido a taxa em 0,25 ponto percentual – a mais baixa desde 1958.

A decisão do comitê monetário do Fed foi unânime. Os especialistas do setor já esperavam a manutenção dos juros, pois o “Livro Bege”, divulgado em 30 de julho, que mostra como anda a economia nos principais mercados norte-americanos já indicava sinais de retomada. No entanto, os analistas aguardavam com ansiedade o comunicado do Banco sobre as perspectivas econômicas do país.

No texto, o Fed afirma que a polícia monetária não deve ser alterada, porque há fortes sinais de aumento da produtividade ? indicador importante para garantir o desenvolvimento econômico.

Para o Banco Central dos EUA, embora os indicadores do mercado de trabalho ainda estejam mistos, os gastos e os preços estão em alta. A taxa de desemprego nos EUA está em 6,2%.

No entanto, o risco de deflação, maior ameaça ao desenvolvimento dos EUA, ainda existe. Para o Fed, “a probabilidade de uma queda da inflação (deflação), mesmo que menor, excede a de uma alta na inflação”.

Com base nessa expectativa, o Banco afirma que pode manter a política de juros por um “tempo considerável”.

Para o Peter Dunay, chefe do Wall Street Access, em Nova York, o Fed se preparou para manter os juros baixos, mas ainda não vê um crescimento econômico forte. “O mercado já se vê em uma grande onda de crescimento, mas o Fed não observa isso da mesma forma”, disse.

O economista-chefe do Eaton Vance Management, Robert Macintosh, afirmou que a decisão de ontem mostra que o Fed continuará sendo paciente e deve esperar um bom semestre para fazer qualquer mudança nos juros.

Para Chris Wolf, do JP Morgan, de Nova York, o Fed tem consciência do avanço dos indicadores econômicos e quer mesmo é reduzir o risco de inflação.

Para Wolf, os sinais de retomada são claros. O PIB (Produto Interno Bruto) dos EUA, por exemplo, cresceu 2,4% no segundo trimestre contra um avanço de 1,4% no primeiro.