Os bancos elevaram os empréstimos tomados na janela de redesconto do Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA) na semana encerrada na quarta-feira para US$ 2,3 bilhões, segundo dados que o Fed divulgou nesta quinta-feira (23). Deste total, US$ 2 bilhões foram concedidos dentro do programa de crédito primário, pelo qual os créditos são comumente dados a bancos em condições financeiras em geral saudáveis.

O total desta semana foi o mais alto desde 12 de abril de 2006, quando US$ 3,6 bilhões em empréstimos foram feitos pela janela de redesconto, segundo o Fed. Dos US$ 2,26 bilhões em créditos até quarta-feira, US$ 1 bilhão foi concedido por meio do Fed de Richmond e mais US$ 1 bilhão por meio do Fed de Nova York.

O Fed divide os empréstimos da janela de redesconto em três categorias: primário, secundário e sazonal. O crédito primário é concedido a bancos que têm o que o Fed chama de "condição financeira geralmente saudável". O crédito secundário é usado para necessidades de liquidez de curto prazo ou para as instituições que enfrentam problemas severos. O crédito sazonal é usado por bancos em áreas agrícolas ou resorts.

O crédito diário médio na semana encerrada em 22 de agosto foi de US$ 1,2 bilhão por meio do crédito primário, US$ 85 milhões via crédito secundário e US$ 256 milhões via crédito sazonal. Na sexta-feira, o Fed surpreendeu os mercados com uma redução de meio ponto porcentual na taxa de redesconto que cobra de bancos que tomam empréstimos diretamente do Fed, para 5,75% ao ano. O Fed também disse aos bancos que podem tomar empréstimos por até 30 dias.

Comunicados

Num raro comunicado entre reuniões, o Fed disse na semana passada que a desaceleração econômica se acentuou "apreciavelmente", o que levou muitos economistas a interpretar que o banco central vai reduzir sua principal taxa, a dos Federal Funds, quando se reunir em 18 de setembro.

Em anúncios feitos ontem, JP Morgan, Citigroup, Wachovia e Bank of America disseram que cada um tomou US$ 500 milhões da janela de redesconto. O Deutsche Bank também confirmou o uso da redesconto, mas não especificou o montante. O Citigroup disse que sua ação foi "em favor de clientes". Os outros bancos disseram que agiram "para assumir o papel de liderança em demonstrar o valor potencial do crédito primário do Fed e estimular o uso por outras instituições financeiras".

A confirmação dos bancos veio depois que autoridades do Fed reiteraram que o redesconto está disponível para aliviar as pressões criadas pelo aperto de crédito que está dissuadindo os bancos de emprestar para outras instituições financeiras. A ação de alguns dos mais renomados e estáveis bancos do país parece ter tido o objetivo de eliminar o estigma normalmente associado ao redesconto. As informações são da agência Dow Jones.