Pesquisa realizada pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban) junto a 30 instituições financeiras revela que a expectativa para 68% dos analistas é de que o crédito prossiga mostrando recuperação gradual.

Outros 24% esperam que haja aceleração da trajetória de crescimento do crédito, enquanto apenas 8% acreditam em reversão dessa trajetória. Segundo a sondagem, divulgada hoje, o maior risco de o cenário de retomada da economia brasileira não se concretizar vem do exterior.

Para 68% dos economistas, esse ambiente favorável pode ser atrapalhado por um novo agravamento da crise externa. Já 16% manifestaram preocupação de médio e longo prazo envolvendo a questão fiscal. Outros 16% apontam como risco uma turbulência ou tensão no cenário político.

Para o economista-chefe da Febraban, Rubens Sardenberg, o resultado da sondagem confirma que o mercado está confiante na recuperação moderada da economia e do crédito.

“O mundo está pior do que se pensava antes da crise, mas muito melhor do que se imaginou no início deste ano”, afirma. Esse ambiente, segundo ele, aponta para a continuidade da redução dos spreads bancários (diferença entre os juros da captação e os efetivamente cobrados dos clientes).

Ele diz que a queda dos spreads é mais intensa nas operações para pessoas físicas, mas a redução também deve ocorrer, nos próximos meses, nos financiamentos para pessoas jurídicas.

Sardenberg lembra que, de acordo com dados fornecidos pelo Banco Central (BC), o spread para pessoas físicas em setembro de 2008 – mês que marcou o início da pior fase da crise internacional – estava em 38,6 pontos porcentuais. Em julho, ele caiu para 35,2 pontos. O economista considera razoável que o spread retome para um nível próximo de 31 pontos, semelhante ao observado em dezembro de 2007.

No caso das pessoas jurídicas, o spread ainda não retomou o patamar pré-crise porque, nessa modalidade de financiamento, a percepção de risco é maior. O spread das operações para pessoas jurídicas está hoje em 17,9 pontos, ante 14,7 pontos em setembro de 2008. O economista da Febraban considera razoável uma queda para perto de 11,9 pontos no final do ano. “Mas, a partir daí, a queda tende a ser mais lenta.”