O economista-chefe da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Nicola Tingas, relativizou o resultado da pesquisa de Projeções Econômicas e Expectativas de Mercado, elaborada pela entidade, na qual 84% das instituições financeiras ouvidas acreditam que a crise nos Estados Unidos pode afetar a economia brasileira. "Ainda não sabemos quais serão todos os desdobramentos da crise internacional", ponderou, acrescentando, no entanto, que o risco financeiro é pequeno.
Tingas avaliou que o sistema financeiro brasileiro é "sólido e sadio" e que o quadro doméstico também é muito bom". Em sua visão, dado o contexto nacional favorável, o impacto da crise financeira externa será limitado. "Seremos pouco afetados pela crise internacional, apesar de sabermos que sempre há algum respingo", sustentou.
Os bancos entrevistados pela instituição destacaram como seus maiores temores, a diminuição da taxa de crescimento da economia global, a deterioração da economia norte-americana e a diminuição da liquidez mundial.
"No caso de um forte desaquecimento global, os preços das commodities podem ser afetados", disse Tingas. "Neste caso, a balança comercial seria a maior prejudicada", admitiu. Entretanto, ele avaliou que, caso este cenário se confirme, "ele não deve ser de grande magnitude".
Segundo o economista-chefe da Febraban, a crise norte-americana "é enorme" e o "Fed está tentando apagar incêndios, mas o cenário no Brasil não é de crise. "Os bancos centrais internacionais estão tentando evitar a perda de confiança no sistema bancário", explicou Tingas.