Arquivo / O Estado
Arquivo / O Estado

Caio França: dados estão
totalmente defasados.

Continua indefinido se o Censo Agropecuário Brasileiro sai no ano que vem ou não. O último levantamento realizado pelo IBGE é de 1995 e o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), que desenvolve políticas públicas para o setor, tem trabalhado com 10 anos de defasagem nos dados.

De acordo com Caio Galvão de França, coordenador do Núcleo de Estudos Agrários e Desenvolvimento Rural (Nead) do MDA, neste intervalo de 10 anos houve um avanço muito grande da agricultura no País, em especial na agricultura familiar e na reforma agrária. ?Hoje não temos como saber a real participação da agricultura familiar na produção agrícola brasileira, bem como não temos idéia sobre as condições de vida nos assentamentos rurais, o que eles produzem?, explica França.

O IBGE já havia se comprometido com o MDA para a produção e coleta de dados específicos sobre os assentamentos no Brasil. Segundo França, sem estes dados, a preocupação do ministério é que não será possível avaliar, aperfeiçoar e ajustar as políticas públicas relativas ao setor agrário.

De acordo com Antônio Carlos Simões Florido, gerente do Censo Agropecuário do IBGE, pela lei, os censores do instituto deveriam ter ido a campo em 2003 para começar a fazer o levantamento, já que o objetivo era fazer o Censo Agropecuário 2002. ?Estamos há três anos tentando incluir os custos do censo no orçamento, mas não estamos conseguindo?, explicou Florido.

Pelos cálculos do IBGE, o trabalho custará R$ 422 milhões e levará três anos para ficar pronto: o ano de preparação dos trabalhos, o ano da coleta e o ano das apurações. Para o primeiro ano dos trabalhos, o valor necessário é de R$ 60 milhões.

Florido explica que o Ministério do Planejamento considerou o valor alto e incluiu no pedido orçamentário de 2006 apenas R$ 10 milhões, um sexto do valor necessário para realizar o censo. ?O ministério nos disse que, caso consigamos baixar esses custos, é possível alocar um pouco mais de dinheiro para viabilizar o censo?, explica Florido.

Agora, o IBGE está revendo todo o projeto para saber onde pode cortar gastos. O que se sabe de imediato é que 70% dos custos são referentes a pagamento de mão-de-obra. Caso o IBGE consiga cessão de 15 mil pessoas para trabalhar no censo, por exemplo, já reduziria os custos em R$ 100 milhões.

Este trabalho de verificação de custos e possíveis cortes ainda está sendo feito e deve ser entregue na próxima semana ao Ministério do Planejamento. Para Florido, a necessidade de se fazer um novo retrato da agricultura no País é primordial não apenas para implantação de novas políticas públicas, mas de avaliação das políticas já existentes. ?O Pronaf foi implantado em 1996 e o último censo não captou seus efeitos. Só neste programa, o governo investe cerca de R$ 7 bilhões ao ano, por 10 anos já. Só com um novo censo agropecuário será possível saber se este dinheiro está sendo bem aplicado, se os efeitos obtidos têm sido satisfatórios?, disse.