Brasília – Os problemas que as Forças Armadas do Brasil enfrentam para substituir equipamentos podem ser conseqüência da falta de uma política de defesa que dê prioridade e oriente a formulação de um projeto que defina essas necessidades.

A avaliação foi feita nesta sexta-feira (16) pelo coordenador de programas de pós-graduação de engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Domício Prensa Júnior, em entrvista ao programa Notícias da Manhã, da Rádio Nacional.

Para ele, é importante que cada uma das três Forças Armadas tenha um projeto que defina suas necessidades, o tempo necessário para alcançá-las e a forma de manter isso.

"O que temos é cada força ainda seguindo mais ou menos na sua direção. Como resultado, cada uma delas enfrenta o problema de ficar obsoleta de maneira diferente?.

O professor afirmou que, dentre os militares, a Aeronáutica é a mais prejudicada. Ele lembrou que, há cerca de sete anos, essa força recebeu US$ 3,5 bilhões para se reconstituir e se equipar, mas não foi suficiente.

?Esses recursos esvaíram e acabou que os aviões-caça, que são uma coisa essencial e central para uma força aérea, não foram comprados?.

Segundo Prensa Júnior, apesar de enfrentarem os mesmos problemas que a Aeronáutica, a Marinha e o Exército conseguem amenizar os efeitos.

 ?Ela [a Marinha] pode compor navios mais antigos com navios mais novos. E o Exército pode ter um equipamento bem antigo trabalhando com um esquipamento muito novo, até um certo ponto. Eles não precisam comprar tudo novo.?

Em entrevista à Radio Nacional, o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, afirmou que o governo estuda o reaparelhamento das Forças Armadas em até dez anos. ?Isso não tem a menor possibilidade de fazer daqui para 2008, não temos dinheiro. Estamos fazendo um programa que vai se estender por seis, sete, e até dez anos?, disse o ministro na ocasião.

O professor alertou que as compras devem explorar as necessidades do país. ?Qual o melhor caça pro Brasil? Certamente vai precisar de um caça de grande alcance por causa do tamanho do país?.  Hoje a primeira linha de aviões-caça do Brasil é composta por 12 Mirage 2000-C comprados da França e, segundo a Aeronáutica, têm vida útil até 2025.