Problemas na comercialização, devido a falta de liquidez do mercado, deixam mais da metade da safra de 6 milhões de toneladas de trigo parada no Paraná. Os presidentes da Faep – Ágide Meneguette, e da Ocepar – João Paulo Koslovski, enviaram ontem um pedido conjunto ao ministro da Agricultura, para que o governo federal promova emergencialmente novas intervenções e assegure a fluidez ao mercado do grão.

"Os mecanismos disponibilizados pelo governo não estão surtindo efeitos", assinalam os dirigentes. A triticultura brasileira atingiu pelo segundo ano consecutivo uma produção que representa cerca de 60% do consumo nacional, substituindo importações de mais de 2 milhões de toneladas de trigo. Meneguette e Koslovski advertem que "os produtores investiram em tecnologia e conduziram as lavouras com eficiência, tendo o clima contribuído para concretizar uma produção de boa qualidade".

Com as vendas paralisadas há mais de 30 dias, os preços recebidos, em negócios esporádicos, estão abaixo do Preço Mínimo de Garantia (PMG), com uma perda de R$ 50,00 por tonelada. Para proporcionar o escoamento da safra, Koslowski e Meneguette solicitam a implementação de medidas urgentes.

As propostas são pelo aumento do valor do Prêmio de Escoamento de Produto (PEP) Norte/Nordeste; criar o PEP-fob pelo preço mínimo, ficando o frete por conta da Conab, direcionado para o Rio de Janeiro, Espírito Santo, Norte e Nordeste do País; além de emergencialmente, o governo autorizar cabotagem com navios de outras bandeiras.

Para a Faep e Ocepar é necessário também promover novos leilões de Contratos de Opção de Venda na quantidade equivalente a 650 mil toneladas, e prorrogar o pagamento das três primeiras parcelas dos financiamentos de custeio de trigo para vencimento parcelado após a última prestação prevista no contrato original.

Entre as propostas está a liberação de Aquisição do Governo Federal (AGF) até o limite de 200 mil toneladas anunciadas pelo governo, ampliando o limite por produtor de 800 sacas para 1.500 sacas, além de ampliar recursos de Empréstimo do Governo Federal (EGF) ao custo de crédito rural, acompanhados de um aumento no limite de crédito das cooperativas, indústrias e produtores.

BB anuncia mais prazo para pagamento de custeio

O Banco do Brasil autorizou a concessão de prazo de espera de 30 dias nas parcelas de custeio de trigo e algodão que vencem neste mês de dezembro. A medida está em sintonia com ações que o governo federal vem adotando para reordenar a comercialização das safras de algodão e de trigo, como leilões de PEP, contratos de opção e AGF.

O BB concedeu ainda novo prazo de espera de 30 dias para o pagamento das parcelas de custeio de trigo com vencimento em novembro passado.

As agências também foram orientadas a dar prioridade à contratação de EGF para a estocagem daqueles produtos, preferencialmente com produtores rurais ou suas cooperativas.

Estas medidas contribuirão para a redução na pressão de oferta pelos produtores, que poderão aguardar a recuperação dos preços para efetuar a comercialização da safra e quitar seus compromissos.