A Federação das Associações Comerciais e Empresariais do Paraná (Faciap) lança no próximo dia 8 de junho, na Associação Comercial do Paraná (ACP), em Curitiba, a sua XVI Convenção Anual. Com o tema ?Micro e Pequena Empresa e o Acesso ao Crédito de Qualidade?, o evento tem como objetivo estimular a criação de uma política pública que permita aos empresários brasileiros empréstimos a longo prazo, com juros baixos, e o desenvolvimento das sociedades de garantia de crédito, entidades que dão aval para a realização do empréstimo, facilitando a vida das empresas e diminuindo o risco dos negócios.

Uma pesquisa realizada pelo Sebrae do Rio Grande do Sul, em 2004, mostrou que a exigência de garantias é o fator que mais impede as micros e pequenas empresas de obter crédito. Em segundo lugar está a taxa de juros elevada, e em terceiro a capacidade de pagamento da empresa. ?Sabemos que o Brasil está passando por um momento importante, que os juros devem continuar caindo e que o País deve entrar numa onda de estabilidade. Porém, as micros e pequenas empresas, maiores geradoras de emprego e renda do País estão fadadas ao fracasso se não tiverem acesso a um crédito de qualidade?, diz o presidente da Faciap, Jefferson Nogaroli, lembrando das chamadas confidis, entidades que operam na Itália, e funcionam como sofisticados fundos de aval, apoi-ando a obtenção de crédito por parte de pequenas e médias empresas.

De acordo com o Sicoob Central Paraná (Sistema de Cooperativas) e o Sebrae, no Brasil, apenas a Associação de Garantia de Crédito (AGC) da Serra Gaúcha, no Rio Grande do Sul, funciona nos mesmos moldes que as confidis. Tais entidades, bem como a AGC, foram visitadas pela Faciap e seu modelo de funcionamento e benefícios serão apresentados e debatidos durante a XVI convenção.

Somente na Itália existem mais de 1000 sociedades de garantia de crédito. Elas atendem a mais de um milhão de empresas, e possuem ativos da ordem de um bilhão de euros.

Sistema Nacional de Garantia de Crédito – ?Oferecer garantias para o caso de inadimplência, reduzir o risco de crédito e diminuir as taxas de juros devem ser os objetivos centrais de um Sistema Nacional de Garantia de Crédito, que diversos atores, entre eles o Sebrae a Faciap, pretendem implantar?, explica Carlos Alberto dos Santos, gerente da Unidade de Acesso a Serviços Financeiros do Sebrae. Segundo ele, a larga experiência de diversos países com mecanismos similares aos dos confidis e da AGC da Serra Gaúcha são fatores fundamentais para a constituição desse sistema. ?Para isso, se faz necessário o forte apoio e o engajamento do setor empresarial de pequeno porte na constituição das sociedades de garantias de crédito, legislação e regulamentação, e a existência de uma forte instituição que possibilite a eficiência, expansão e consolidação de todo o sistema.?

Segundo o presidente do Sicoob Central Paraná, Luiz Ajita, é necessária uma política inovadora para facilitar o acesso ao crédito e ?nesse sentido as cooperativas têm papel fundamental?. Sobre as sociedades de garantia de crédito, ele ressalta que tais entidades permitem uma cultura gerencial moderna nas micros e pequenas empresas, e promovem maiores condições de competitividade, além de serem forte instrumento de desenvolvimento regional.