Divulgação
Buscar o fortalecimento das associações é uma das metas de Zielasko.

 

Nesta segunda-feira toma posse a nova diretoria da Federação das Associações Comerciais e Empresariais do Estado do Paraná (Faciap), que congrega cerca de 50 mil empresários responsáveis por mais de 90% do PIB paranaense. À frente, está o empresário Rainer Zielasko, do setor têxtil. Engenheiro agrônomo por formação, ele conta, em entrevista a O Estado, que quer empregar a força da entidade no avanço de questões importantes para o desenvolvimento da economia paranaense. Reforma tributária e melhora na infraestrutura logística são dois pontos centrais para o novo presidente da federação, que é primeiro da região oeste do Estado a assumir a entidade.

O Estado – Em quase dois meses à frente da entidade quais são as demandas mais recorrentes das associações comerciais que a Faciap congrega? E dos setores industriais?

Rainer Zielasko – Nestes primeiros meses de trabalhos sentimos que a questão de sustentabilidade das associações comerciais terá um grande peso dentro do nosso plano de trabalho e até já desenvolvemos uma pesquisa no sistema para identificar em quais produtos e serviços precisamos ser mais eficientes. Temos que buscar o fortalecimento das associações a fim de que elas possam ter ferramentas para prestar bons serviços e atrair os empresários de suas localidades. Mas além dessas demandas operacionais, também temos as bandeiras institucionais do sistema. Uma delas é a melhoria da competitividade das nossas empresas, lutando pela reforma tributária, por uma gestão pública mais econômica e eficiente, além de buscar soluções para um dos grandes entraves do desenvolvimento regional do Paraná que é a infraestrutura logística no interior do Estado.

OE – Como a entidade pretende usar sua representatividade política para agir perante a realização das reformas estruturais do País, especialmente, a tributária que impacta diretamente no desenvolvimento do setor?

RZ – Representamos um universo de mais de 50 mil empresários paranaenses, que congregam interesses para o desenvolvimento de seus negócios em 288 Associações Comerciais que estão distribuídas estrategicamente em todas as regiões do Paraná. Vamos usar essa capilaridade para lutar pelas bandeiras de defesa da economia paranaense. A reforma tributária e a redução da burocracia são duas das principais defesas do nosso movimento. O peso dos nossos impostos inviabiliza negócios e impede o crescimento daqueles que lutam para se manter ativos, precisamos de uma reforma eficiente nessa área. E a reforma tributária no país também vai acabar com essa guerra fiscal entre os estados.

OE –  As políticas econômicas adotadas pelo governo da presidente Dilma Roussef estão sendo recebidas de que maneira pelos associados da Faciap? Qual a sua opinião sobre o uso contínuo da elevação da taxa de juros como mecanismo de contenção do consumo a fim de segurar a inflação?
 

RZ – Em um primeiro momento, vemos que a presidente Dilma está trabalhando para manter os indicadores econômicos, mas ao mesmo tempo ela já sinalizou que vai trabalhar para a redução da máquina administrativa, e isso é fundamental.  Quando estamos com dificuldade nas finanças, não pedimos aumento de salário, nós buscamos reduzir gastos e é isso que a maquina pública deve fazer; ser menor, menos cara e mais eficiente. Não é aumentando a taxa juros, encarecendo o nosso dinheiro. Taxas de juros elevadas atraem capital especulativo, promove a entrada excessiva de dólares que leva a sobrevalorização do Real, e com isso tira a competitividade dos produtos brasileiros, colocando em risco a balança comercial do País. Precisamos reduzir os gastos públicos, permitindo baixar a taxa de juro promovendo a desvalorização do real, aumentando assim a nossa competitividade. A presidente já deu indícios que terá menos discurso e mais ação, e é isso que esperamos.

OE – Com base nesses primeiros dois meses de novo governo no País e no Estado, quais as suas perspectivas para a indústria e o comércio paranaense em 2011?
 

RZ – Em relação ao Estado, vemos que o governador Beto Richa tem sua gestão focada em resultados, promoveu compromissos de gestão com seus secretários. O fato de ter colocado na Secretaria da Fazenda Luiz Carlos Hauly, que foi um dos responsáveis pela Lei Geral da Micro e Pequena Empresa que originou o Simples Nacional, mostra a preocupação do governo com a economia do Paraná. Na esfera federal, quando a presidente Dilma mostra preocupação com a competitividade das empresas, nos dá a expectativa que vamos seguir no rumo do desenvolvimento. Dessa forma será bem provável um crescimento para este ano em torno de 5% do PIB, o que seria bastante bom.  A Faciap vai usar de sua força para cobrar esses compromissos firmados. Queremos contribuir com uma agenda positiva mostrando o que nossas empresas precisam para crescer, gerar empregos e contribuir para o desenvolvimento de todas as regiões do Paraná, garantindo mais longevidade para nossos negócios.

OE –  O senhor é o primeiro empresário do Oeste do Paraná a frente da Faciap, isso implicará em um novo perfil de gestão? Falando nisso, regionalmente como o senhor avalia o desenvolvimento do Estado?

RZ – A Faciap tem uma presença importante no interior e uma das metas da nossa gestão é trabalhar com harmonia a grandeza do nosso interior com a força da capital. Ser do interior do Paraná me dá uma responsabilidade grande em fazer com que a Federação esteja ainda mais presente na sua base. Tenho uma diretoria que é composta por empresários líderes em suas localidades e isso também é fundamental nesta gestão. Acredito que a riqueza do Paraná tem uma ligação direta com o seu interior. Nosso estado tem pólos regionais de desenvolvimento, muita força no agronegócio, potenciais industriais, desenvolve tecnologia e não tem o crescimento focado somente na sua capital. Isso é muito importante, porque garantimos o desenvolvimento harmônico do estado, geramos riqueza nas comunidades e isso impede que aconteça a migração do interior para a capital, porque também há oportunidade, e muitas, no interior.
Para que isso se consolide, vamos lutar muito pela melhoria na infraestrutura do interior, como a duplicação das rodovias, melhoria das ferrovias existentes e a ampliação da malha ferroviária. Também queremos a implantação do aeroporto regional do Oeste do Paraná, aumento da capacidade e eficiência do Porto de Paranaguá e redução no custo dos pedágios.

OE – Sustentabilidade dos negócios é uma das missões da Federação. O que é preciso priorizar para a saúde financeira das indústrias e do comércio do Estado?

RZ – A Faciap desenvolve no Sistema de Associações Comerciais importantes programas que visam manter e alavancar negócios. Um deles é o Empreender onde empresários de um mesmo segmento se unem em núcleos setoriais e de forma conjunta, trabalhando no associativismo de resultados, conseguem reduzir custos e aumentar suas receitas. Outro programa importante é o Capacitar que promove uma mudança na eficiência de gestão das Associações Comerciais, transformando essas entidades em verdadeiras agências de desenvolvimento em suas cidades. Esses dois programas são desenvolvidos em parceria com o Sebrae. Além das bandeiras políticas na defesa de redução de impostos e na cobrança por melhorias efetivas em nossa infraestrutura, temos que agir, enquanto entidade de representação empresarial, para potencializar negócios, aumentando a competitividade e promovendo ferramentas de eficiência de gestão, essas são algumas diretrizes que fazem parte da missão do nosso movimento.