O novo aporte anunciado na terça-feira, 28, pela General Motors para o Brasil, de R$ 6,5 bilhões, inclui projetos para as fábricas de automóveis de São Caetano do Sul (SP) e de Gravataí (RS) e para as unidades de motores em Joinville (SC) e de peças em Mogi das Cruzes (SP). Está de fora a unidade de São José dos Campos, segundo informou o presidente da GM América do Sul, Jaime Ardila.

“Essa fábrica não é competitiva, pois não temos um acordo trabalhista de longo prazo”, disse o executivo. “Salários e benefícios são maiores do que em outras fábricas e há um nível de inflexibilidade nas relações trabalhistas que precisa mudar.”

No programa anterior, de R$ 6,5 bilhões para o período 2014-2018, a unidade do Vale do Paraíba, onde a empresa enfrenta dificuldades em fazer acordos com o sindicato local, também não estava contemplada.

Procurado na terça-feira, o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, Antonio Ferreira de Barros, disse que só comentará o assunto após ser informado oficialmente da decisão.

Disse ainda que os trabalhadores fizeram acordo de longo prazo com a montadora e aceitaram nova grade salarial, com piso menor para novas contratações, além de “pagamento diferenciado” de participação nos lucros e resultados (PLR).

Esse acordo, segundo ele, tornava viável um projeto de R$ 2,5 bilhões para a produção de um automóvel compacto na unidade, plano que ainda não foi definido pela montadora.

A fábrica de São José produz apenas a picape S10 e o utilitário Trailblazer, além de motores e componentes. Os automóveis feitos na unidade, entre os quais Corsa e Zafira, saíram de linha em 2012 e não foram substituídos. A unidade emprega 5,2 mil pessoas, segundo Barros, e 760 funcionários estão em lay-off (contratos suspensos), com retorno previsto para agosto.

Segundo Ardila, as fábricas operam com pessoal excedente e o grupo ainda avalia o que fará com os trabalhadores que estão afastados. Na unidade de São Caetano há 1 mil operários em lay-off com retorno esperado para outubro. Neste mês, a empresa dispensou 400 trabalhadores. O grupo emprega ao todo 19 mil pessoas no País. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.