Sem mercado interno, indústria
produz para o exterior.

Rio – As exportações salvaram a indústria do desaquecimento do mercado interno provocado pela alta dos juros e permitiram aumento de 4,1% na produção em fevereiro, ante igual mês do ano passado. Os dados divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que os segmentos ligados ao mercado doméstico impediram uma reação mais vigorosa do setor, enquanto o crescimento foi garantido por setores vinculados às vendas externas, petróleo e agroindústria.

O chefe do Departamento de Indústria do instituto, Silvio Sales, disse que a importância das exportações e do setor agroindustrial para a indústria vêm sendo destacados desde o segundo semestre do ano passado, mas os dados de fevereiro confirmaram os sinais de retração do mercado interno.

Exemplo disso, segundo ele, é que no acumulado do primeiro bimestre, que registrou crescimento de 3,4% na indústria geral, os destaques de queda foram os segmentos que dependem da demanda doméstica, como têxtil (-4,8%) e farmacêutica (-9,6%). Por outro lado, os impactos positivos foram dados por segmentos que foram beneficiados pela exportação como material de transporte, com 11,1% e mecânica, 11,4%.

Em fevereiro, o fator exportação e a produção de petróleo garantiram uma reação moderada da indústria. Segundo Sales, a “trajetória suave” de crescimento está explícita em todos os dados, como o aumento de 4,1% da produção em fevereiro, ante igual mês do ano passado (sob efeito do calendário, já que o mês deste ano teve mais dias úteis), e de 0,7% ante janeiro.

“A indústria apresentou essa recuperação suave em relação a dezembro do ano passado, mas ainda não há trajetória ascendente”, disse. O economista destacou que uma reação maior está sendo impedida pelo desaquecimento interno, coerente com as estatísticas de queda no rendimento real e nas vendas do varejo.

O aumento na produção em fevereiro, ante igual mês do ano passado, refletiu a expansão em 14 dos 20 ramos pesquisados pelo IBGE, com destaque para mecânica (11,9%, com motores diesel e máquinas agrícolas) e material de transporte (11,6%), puxado pelas exportações da indústria automobilística. A principal queda foi a do setor têxtil (-5%), voltado para o mercado interno.

As quatro categorias de uso pesquisadas apresentaram crescimento. O segmento de duráveis foi impulsionado pelas exportações de automóveis e cresceu 10,3% nessa base de comparação. Os bens intermediários (que respondem por 50% da pauta de exportações do País) mantiveram o desempenho positivo que vem sendo registrado desde abril do ano passado e cresceu 4 5%.