As exportações do Paraná atingiram US$ 9,4 bilhões em 2004, um crescimento de 31,4% em relação ao ano anterior. Com este resultado, o superávit da balança comercial do Estado ficou em US$ 5,4 bilhões, o que representa um aumento de 46,4% sobre 2003 e equivale a 16% do saldo brasileiro. Já as importações cresceram apenas 15,50%, em US$ 4,026 bilhões, o que gerou um superávit de US$ 5,37 bilhões, 46,44% superior a 2003.
"As exportações foram o caminho encontrado por parte do empresariado para manter o crescimento de seus negócios. Mas para 2005, este cenário pode não se repetir em função das mudanças cambiais e da queda das commodities", avalia o presidente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná, Rodrigo da Rocha Loures.
Rocha Loures considera que o cenário é incerto, no entanto destaca que continuar exportando é a saída das empresas, em função da retração da economia brasileira provocada pela política de juros altos praticada pelo Banco Central. O presidente da Fiep adianta que para 2005 a federação estará realizando uma série de eventos que visam abertura de novos mercados, como missões para Índia, China e França.
Com relação à China, o diretor de Novos Negócios da Fiep, Henrique dos Santos, diz que este país tem ampliado significativamente as relações comerciais com o Paraná. Foi o segundo destino das exportações paranaenses, alcançando a marca de US$ 1,114 bilhão, somente superado pelos EUA (US$ 1,252 bilhões).
No entanto, Santos ressalta que a China tem procurado essencialmente produtos básicos (como do complexo soja). Para tentar agregar maior valor às exportações paranaenses, a Fiep prepara para março uma missão comercial visando mostrar produtos industrializados do Estado. No acumulado dos doze meses de 2004, apenas US$ 325 milhões foram gerados pela venda de manufaturados.
O diretor da Fiep afirma que o reforço nas exportações de produtos industrializados é uma das políticas da federação. Em 2004, os embarques de manufaturados atingiram US$ 5,397 bilhões, equivalentes a 58% do total das divisas geradas pelo Estado.
Destinos
Além da alta nas exportações para a China, o Paraná também vendeu mais para Argentina, Alemanha, Irã e França. No caso da Argentina, a retomada da economia do país vizinho fez com que as vendas crescessem 91,10%, subindo de US$ 321 bilhões, em 2003, para US$ 613 bilhões. Já o Irã, que subiu da nona para quinta posição entre os parceiros paranaenses, importou US$ 463 milhões, especialmente com embarques de milho e soja. O relacionamento comercial com a França também foi puxado pela venda de produtos básicos, mas a exportação de motores tem parcela significativa nos US$ 424 milhões exportados aos franceses. Atualmente, o país é o sexto no ranking dos parceiros comerciais paranaenses, quatro posições acima em relação a 2003.
Também houve crescimento significativo nas exportações a países que não eram tradicionais compradores de produtos paranaenses. Para a Polônia, o Paraná exportou US$ 32,6 milhões contra US$ 2 milhões em 2003. Já a Venezuela, ampliou as compras com o Paraná de US$ 28 milhões, em 2003, para US$ 120 milhões. O mesmo aconteceu com Portugal, que cresceu 127%, saindo de US$ 51 milhões para US$ 115 milhões.
Importações
Com relação às importações, o Paraná adquiriu em 2004 menos produtos prontos e mais insumos industriais, combustível e bens de capital e equipamentos de transporte de uso industrial. A aquisição de insumos industriais cresceu 39%, atingindo US$ 1,54 bilhão. Já as compras de bens de capital subiram de US$ 785 milhões, em 2003, para US$ 995 milhões. "Isto mostra que as empresas investiram mais na modernização de seus parques, o que contribui para a ampliação da produção física", avalia Henrique Santos.
Ano encerrou com estoque alto
A redução do ritmo de crescimento da atividade industrial brasileira resultou no acúmulo de estoques no quarto trimestre de 2004. De acordo com a Sondagem Industrial divulgada ontem pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), os setores com estoques acima do planejado são couros e peles, vestuário e calçados, têxtil e papel e papelão.
Para as pequenas e médias, os estoques estão no nível planejado. Entre as grandes, o indicador aumentou de 51,5 para 53,8 pontos. Os estoques de matérias-primas e produtos intermediários também ficaram acima do planejado entre as grandes.
"O acúmulo de estoques de produtos finais e de matérias-primas mostra que as grandes empresas viram suas expectativas de crescimento frustradas, o que deverá conduzir a uma desaceleração da produção para adequá-la às novas expectativas de crescimento da demanda", afirma o documento da CNI.
Carga tributária e juro alto fazem indústria pisar no freio
A carga tributária continua sendo o principal problema enfrentado pela indústria brasileira, segundo a pesquisa Sondagem Industrial, divulgada ontem pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). O documento mostra que 73% das empresas entrevistadas afirmaram que a alta carga tributária brasileira é o seu principal problema hoje. Em segundo lugar ficaram as taxas de juros. Os empresários também reclamaram da desvalorização do dólar, que prejudicou principalmente as empresas exportadoras.
"A elevada carga tributária continua sendo o principal problema enfrentado pela indústria brasileira, mas as taxas de juros e de câmbio tornaram-se um problema mais significativo no quarto trimestre de 2004 (período em que a pesquisa foi realizada). Por sua vez, o custo e a falta de matérias-primas perderam importância", afirma o documento.
O coordenador da Unidade de Política Econômica da CNI, Flávio Castelo Branco, disse que esses problemas citados pelos empresários terão impacto no crescimento da indústria em 2005. "As taxas de juros voltaram ao segundo lugar como preocupação dos empresários. Isso vai ter um impacto no crescimento ao longo do ano", disse ele.
A pesquisa mostra que o ritmo de expansão da indústria no último trimestre de 2004 caiu, apesar de a economia continuar crescendo. Os sinais de desaquecimento são mais claros nas grandes empresas, que acumularam estoques de produtos e de matérias-primas.
"Os dados mostram continuidade do crescimento, mas já há sinais de diminuição no ritmo desse crescimento. Isso se detecta principalmente nas grandes empresas. Um sinal desse fenômeno é o fato de as empresas estarem com os estoques mais altos do que planejavam para o período", disse Castelo Branco.
Desaceleração
O documento mostra, ainda, que a expansão da indústria apresentou sinais de desaceleração no último trimestre de 2004. A queda no ritmo de crescimento está presente em praticamente todos os itens avaliados pela pesquisa.
O indicador de produção passou de 60,1 pontos no terceiro trimestre do ano passado para 57,6 pontos – valores acima de 50 pontos indicam avaliação positiva. Caiu de 65% para 49,5% o percentual de grandes empresas que declararam ter registrado aumento de produção.
O forte desempenho da indústria no ano passado foi um dos fatores que levou o Banco Central a elevar a taxa básica de juros da economia, a Selic, que começou em setembro. Hoje a taxa está em 18,25% ao ano, após cinco elevações consecutivas.