Foto: Arquivo/O Estado

Complexo soja (grãos, farelo e óleo) teve queda de 28%.

As exportações do agronegócio paranaense tiveram desempenho negativo no primeiro semestre deste ano, recuando 25% (- R$ 1,7 bilhão) em relação ao período janeiro-julho de 2005. A perda da receita – de R$ 6,73 bilhões para R$ 5,03 bilhões – , segundo documento divulgado ontem pela Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep) leva em conta a queda do volume comercializado nos principais complexos agroindustriais, a diminuição de preços internacionais de algumas commodities e a política cambial.

Houve queda na receita das exportações para todos os principais mercados da agroindústria paranaense, à exceção do Mercosul: as exportações para a União Européia somaram US$ 1,27 milhão (-14%); Estados Unidos (inclusive Porto Rico) totalizaram US$ 603 milhões (-16%); Ásia (exclusive Oriente Médio) US$ 594 milhões (-23%) e para o Mercosul foram de US$ 534 milhões (+ 31%).

Nas exportações totais do Paraná, aplicando o mesmo critério câmbio/ volume/ preços, observa-se uma queda de 22%, haja vista que o setor industrial também já mostra os primeiros sinais do efeito da crise, em função das conexões do sistema econômico, afetando setores dinâmicos da economia paranaense como as exportações do setor automotivo. As exportações paranaenses passaram de R$ 11,94 bilhões para R$ 9,37 bilhões, uma perda de receita de R$ 2,57 bilhões, possibilitando inferir que 66% da perda de receita das exportações paranaenses, no 1.º semestre de 2006, é resultante do declínio das vendas externas do agronegócio.

As exportações paranaenses no 1.º semestre de 2006 totalizaram US$ 4,29 bilhões contra US$ 4,71 bilhões em igual período de 2005, uma queda de 9% (-US$ 418 milhões). As importações no período somaram US$ 2,30 bilhões e o saldo da balança comercial foi de US$1,99 bilhão.

A participação do agronegócio paranaense nas exportações totais do Paraná sinaliza queda passando de 63% para 53%. No acumulado de janeiro a junho de 2006, as exportações do agronegócio alcançaram US$ 2,31 bilhões contra US$ 2,66 bilhões em igual período de 2005, ou seja, uma queda de 13% (-US$ 353 milhões).

Complexo soja

A queda das exportações do complexo soja foi de 28% em relação a igual período de 2005. A receita do setor passou de US$ 1,17 bilhão para US$ 844 milhões. O volume comercializado caiu de 4,98 milhões de toneladas para 3,42 milhões de toneladas (-31%). O preço médio no 1.º semestre de 2006 para a soja em grão foi de US$ 228,02/t contra a média de US$ 226,06/t do 1.º semestre de 2005.

A soja em grão gerou divisas de US$ 332 milhões, uma queda de 36% em relação a igual período de 2005 (US$ 519 milhões). Foram escoadas via Porto de Paranaguá, um volume de 1,45 milhões de toneladas, 37% inferior em relação ao comercializado no 1.º semestre de 2005 (2,29 milhões de toneladas), ainda que considerando a comercialização dentro da média histórica, mas, ao mesmo tempo, em que portos vizinhos vêm registrando aumento da movimentação de soja em grãos, conforme dados do Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC).

As exportações de farelo de soja totalizaram US$ 298 milhões contra US$ 426 milhões registrados no 1.º semestre de 2005. As vendas de óleo bruto de soja passaram de US$ 155 milhões para US$ 147 milhões. As exportações de óleo de soja refinado passaram de US$ 59 milhões para US$ 55 milhões (-7%).

Complexo carnes

As vendas do complexo carnes (aves, bovinos, suínos e outras) assinalam uma queda de 15%, passando de US$ 537 milhões para US$ 455 milhões, resultado do embargo da Rússia à carne suína, da suspeita de febre aftosa no Estado e da ameaça da gripe aviária. As exportações de carne de aves registram queda no volume exportado de 354 mil toneladas para 330 mil toneladas. A receita caiu de US$ 384 milhões para US$ 379 milhões, em função dos preços mais baixos.

As exportações de carne bovina ?in natura? permaneceram zeradas, com registros apenas para comercialização de carne bovina industrializada (de duas mil toneladas e dívidas de US$ 5,6 milhões).

Produtos florestais

As exportações do grupo produtos florestais indicam um declínio de receita de 5% (de US$ 656 milhões para US$ 625 milhões). O setor de madeira e suas obras passou de US$ 563 milhões para US$ 523 milhões. Já o setor de papel e celulose foi um dos poucos setores que contribui positivamente, passou de US$ 93 milhões para US$ 101 milhões.

Demais complexos agroindustriais

As exportações de milho em grãos foram beneficiadas pelos preços externos que passaram de US$ US$ 98,10/tonelada (1.º semestre/2005) para US$ 114,63/tonelada (1.º semestre/2006). A receita obtida foi de US$ 114 milhões e o volume comercializado de 992 mil toneladas.

As exportações de café (grão e solúvel) registraram desempenho positivo em razão de preços internacionais mais elevados, com receita total de US$ 116 milhões; o volume exportado caiu de 38 mil para 33 mil toneladas.

O complexo sucroalcooleiro (açúcar – bruto e refinado – e álcool etílico) somou US$ 75 milhões. As exportações de açúcar foram menores em receita e volume porquanto historicamente os preços do açúcar são melhores no 2.º semestre.

Mercados

As exportações para a União Européia somaram US$ 1,27 milhão (-14%); Estados Unidos (inclusive Porto Rico) totalizaram US$ 603 milhões (-16%); Ásia (exclusive Oriente Médio) = US$ 594 milhões (-23%) e para o Mercosul foram de US$ 534 milhões (+ 31%), o único bloco comercial a registrar aumento, no período janeiro/junho de 2006.

Por destino das exportações é importante ressaltar a queda das exportações em relação a igual período de 2005, em mercados tais como: China (-38%); Alemanha (-32%); França (-20%); Estados Unidos (-15%); Arábia Saudita (-21%); Rússia (-55%) e Japão (-7%); Espanha (-4%); Portugal (-32%).