As exportações brasileiras do agronegócio e o superávit comercial do setor representaram recordes da série histórica para os meses de janeiro, atingindo US$ 2,931 bilhões e US$ 2,434 bilhões, respectivamente. Os destaques principais foram açúcar e álcool, carnes e soja. As importações de janeiro cresceram 29,4%, alcançando um valor de US$ 497 milhões. O Brasil importou principalmente mais trigo (128%, de US$ 39 milhões para US$ 89 milhões) e arroz (81%, de US$ 9,8 milhões para US$ 17,8 milhões).
Dados divulgados ontem pelo Ministério da Agricultura mostram que as exportações de carnes, apesar do embargo imposto por 56 países devido ao foco de febre aftosa, aumentaram 28%, passando de US$ 476 milhões em janeiro de 2005 para US$ 608 milhões em janeiro de 2006. Este incremento foi resultado de um aumento de 10% no volume embarcado e de elevações de preços de alguns produtos do setor, como carne bovina in natura (4,6%), industrializada (42%) e frango in natura (24,8%).
O diretor do Departamento de Promoção Internacional do Agronegócio, Ricardo Cotta, explicou as razões para o aumento das vendas de carnes, apesar dos embargos. Primeiro, a maior parte dos 56 países que anunciaram restrições não fechou o mercado integralmente, incluindo os principais mercados compradores, como a Rússia e a União Européia, que suspenderam as compras apenas das regiões afetadas por focos de febre aftosa.
Além disso, afirmou Cotta, os frigoríficos exportadores têm plantas aprovadas e habilitadas em outros estados, o que permite a transferência do abate para regiões não afetadas pela febre aftosa. O diretor comentou ainda que houve um incremento das vendas de carnes para países que não são compradores tradicionais do Brasil, como Oriente Médio, Ásia, Europa Oriental, Ásia e África.
No caso da Rússia, disse o diretor, as exportações no período que engloba o mês de surgimento da febre aftosa -outubro de 2005 a janeiro de 2006 – houve um aumento de 97% das exportações de carnes em geral na comparação com outubro de 2004 e janeiro de 2005, saltando de US$ 266 milhões para US$ 526 milhões. ?Esse aumento ocorreu porque a Rússia permitiu o embarque de todos os animais abatidos antes do fechamento dos portos por causa do inverno?, disse Cotta. Devido ao congelamento das águas, os portos russos são fechados entre dezembro e janeiro.
Já o aumento das exportações do complexo soja refletiu o forte crescimento das vendas externas de soja em grão (133%), apesar da variação negativa nas vendas de farelo de soja e óleo, com quedas de 6,2% e 11%. O volume embarcado de soja em grão aumentou 103% em relação a janeiro de 2005, com os preços 14,3% superiores aos registrados no mesmo período do ano anterior.
As vendas externas de açúcar cresceram 26% em janeiro. As receitas com exportações do produto saltaram de US$ 212,4 milhões para US$ 268,2 milhões. A elevação de 33,4% nos preços para açúcar em bruto e 50% para açúcar refinado impulsionou o incremento. A receita com as exportações de álcool aumentou 94,5%, resultado de um aumento de 30,5% na quantidade exportada com preços 49% mais elevados.
Outros setores e produtos que apresentaram desempenho positivo em termos de valor foram papel e celulose (16,4%), frutas frescas (28,5%), couros (15,4%), suco de laranja (30,6%) e algodão (114%).
Para Ricardo Cotta, apesar da aftosa, da quebra de safra registrada no ano passado e da questão cambial, o resultado de janeiro segue a tendência dos recordes verificados nos últimos quatro anos e sinalizada para resultados ainda melhores em 2006. ?A diversificação das pautas dos produtos exportados, a agregação de valor, a recuperação dos preços das commodities agrícolas e a abertura de novos mercados para os produtos agrícolas brasileiros são alguns dos fatores que levam à manutenção desta tendência de exportações recordes.?
Acumulado
Nos doze meses correspondentes ao período de fevereiro de 2005 a janeiro de 2006, as exportações brasileiras do agronegócio totalizaram US$ 43,950 bilhões, 11,9% acima do valor exportado entre fevereiro de 2004 e janeiro de 2005, que foi de US$ 39,274 bilhões.


