A participação dos Estados Unidos nas exportações brasileiras caiu para 9,4% no primeiro semestre de 2026, o menor patamar desde o início da série histórica em 1997. A queda ocorreu um ano após o presidente americano Donald Trump anunciar tarifas de 50% sobre produtos brasileiros. Enquanto isso, a China ampliou sua fatia de 28,9% para 31,5% no mesmo período, passando a responder por quase um terço das vendas externas do país. As informações são da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil), divulgadas pela Folha de S. Paulo nesta quarta-feira (8).

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Em valores absolutos, as exportações para os Estados Unidos somaram US$ 17,4 bilhões no primeiro semestre deste ano, uma queda de 13% na comparação anual. O desempenho contrasta com o crescimento de 11,5% nas vendas para o restante do mundo, incluindo alta de 21,9% para a China e de 12,8% para a União Europeia. Apesar da queda, os Estados Unidos seguem como segundo maior parceiro comercial do Brasil, à frente da Argentina, cuja participação recuou para 4%.

O presidente da Amcham, Abrão Neto, afirmou que o cenário reforça a necessidade de um acordo para evitar a aplicação de novas tarifas no âmbito da investigação da Seção 301. Segundo ele, caso sejam implementadas, as sobretaxas poderão comprometer ainda mais as trocas entre os dois países. O comércio bilateral continua registrando déficit para o Brasil, com a importação de produtos americanos superando as exportações em US$ 1,5 bilhão, equivalente a R$ 7,76 bilhões.

Segundo a ApexBrasil, órgão do governo federal voltado à promoção de exportações, produtos que representam 25% do valor das vendas brasileiras para os Estados Unidos enfrentam sobretaxas entre 12,5% e 25%. Outros 20% estão submetidos às regras da Seção 232, aplicada a setores considerados estratégicos para a segurança nacional americana. Entre os setores mais atingidos estão couros e revestimentos cerâmicos. Produtos como mel, sebo bovino, filés de tilápia e determinados tipos de madeira de coníferas apresentam forte dependência do mercado norte-americano.

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A ApexBrasil informou ter realizado mais de 80 ações de promoção comercial no último ano. A agência destacou que 72% das empresas apoiadas conseguiram abrir ao menos um novo mercado de exportação. A própria agência apontou que a participação dos Estados Unidos nas exportações brasileiras já vinha perdendo espaço nas últimas duas décadas, passando de 19% em 2005 para 11% em 2025. No mesmo período, a China se tornou o principal parceiro comercial de 14 estados brasileiros.