Economia

Exportação de carnes do Brasil para Europa é suspensa e afeta US$ 2 bi

Imagem mostra o trabalho dentro de uma indústria.
Imagem mostra o trabalho dentro de uma indústria. Foto: Pixabay / Janno Nivergall

A União Europeia (UE) começou nesta quinta-feira (3) a suspender a entrada de produtos de origem animal do Brasil em seus 27 países-membros. A medida atinge carnes bovina, de frango e suína, além de mel, pescados e ovos, e pode afetar até US$ 2 bilhões por ano em exportações brasileiras.

As informações são da Agência Brasil.

O bloqueio ocorre porque o bloco considera insuficientes os mecanismos brasileiros de controle do uso de antimicrobianos na produção animal. A União Europeia não identificou casos de contaminação ou irregularidades sanitárias em lotes brasileiros.

A restrição não é necessariamente definitiva. O Brasil tenta comprovar que atende às exigências europeias. Uma auditoria da UE avalia as cadeias de frango e mel no país e deve terminar nesta sexta-feira (4).

Impacto nas exportações brasileiras

Somente a carne bovina respondeu por aproximadamente US$ 1,7 bilhão em exportações brasileiras para a UE em 2025. Embora o mercado europeu represente uma parcela limitada do total das exportações brasileiras de carne bovina, ele é considerado estratégico porque compra cortes de maior valor agregado.

O problema para o setor não é apenas encontrar outro comprador. Diferentes mercados costumam demandar cortes específicos, o que dificulta substituição imediata das vendas destinadas à Europa.

O Brasil exporta carne de frango para cerca de 150 países, o que oferece alternativas para parte da produção. Caso o bloqueio permaneça, a produção que seria destinada aos europeus poderá ser direcionada ao mercado brasileiro, a países do Oriente Médio e a outros mercados internacionais.

Motivo da suspensão

A União Europeia detém regras próprias para o uso de antimicrobianos na criação de animais. Esses medicamentos podem ser usados para tratar infecções, mas o bloco proíbe o emprego para estimular o crescimento dos animais.

A avaliação europeia é de que o sistema brasileiro de controle dessas substâncias não oferece garantias suficientes para comprovar o cumprimento das regras. O governo brasileiro contesta esse entendimento e afirma que a legislação nacional já restringe o uso de antimicrobianos como promotores de crescimento.

Prazo para retomada

A suspensão pode ser revertida, mas não há uma data definida para a retomada das exportações. Depois da auditoria, o resultado ainda precisará ser analisado pelas autoridades europeias. Esse processo pode levar cerca de dois meses.

Para a carne bovina, a retomada pode ser mais demorada. O novo sistema exige rastreamento durante todo o ciclo de vida do animal. Um bovino que passe a seguir as novas regras hoje pode levar entre 24 e 36 meses até chegar ao abate.

No caso do frango, o ciclo produtivo é bem menor: aproximadamente 45 dias entre o nascimento e o abate. O setor avícola espera que as vendas para a União Europeia possam ser retomadas ainda em 2026.

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