A expectativa de inflação para 2026 voltou a ultrapassar os 5%, atingindo 5,01%, segundo o Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (5) pelo Banco Central. É a primeira vez desde o início de setembro que o índice supera esse patamar, após quatro semanas consecutivas de queda, e fica acima do teto da meta estabelecida em 4,5%. As informações são da Gazeta do Povo.
O aumento ocorre em meio ao crescimento do endividamento das famílias brasileiras, que chegou a 82% em setembro, conforme dados do BC e da Confederação Nacional do Comércio. Desse total, 28,7% dos brasileiros estão com a renda familiar comprometida. Entre as famílias de menor renda, com até três salários mínimos, o endividamento atinge 85,1%.
Os juros altos da economia, atualmente em 13,75%, são apontados como principal causa do endividamento. O rotativo do cartão de crédito ultrapassa 440% ao ano, levando famílias a migrarem para linhas de crédito emergenciais de curto prazo e custo mais elevado.
A expectativa de crescimento da economia também caiu pela quarta semana consecutiva, chegando a 1,85%. A alta taxa de juros dificulta a ampliação da produção e o planejamento de longo prazo de empresas e indústrias.
Essa redução atinge os planos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de entregar o país com avanço consistente da economia ao final do terceiro mandato. O petista voltou a criticar a taxa de juros mesmo com Gabriel Galípolo, indicado por ele, presidindo o Banco Central.
O mercado financeiro prevê que a taxa básica de juros deve terminar o ano em 13,5%, com expectativa de pequeno corte na próxima reunião do Comitê de Política Monetária nos dias 3 e 4 de novembro. Na reunião anterior, em setembro, o colegiado deixou em aberto a possibilidade de novos cortes, mas demonstrou preocupação com o andamento da economia.
Para os próximos anos, a expectativa é de inflação de 4,3% em 2027, 3,8% em 2028 e 3,51% em 2029, próximo ao centro da meta de 3%. Os juros devem cair para 12% em 2027, 10,5% em 2028 e 10% em 2029.
