O secretário de Previdência do Ministério da Fazenda, Marcelo Caetano, disse nesta quinta-feira, 8, que o objetivo da reforma da Previdência é equalizar regras de aposentadoria. Ao tratar das negociações em torno da flexibilização na transição dos servidores às novas regras, o secretário defendeu que qualquer mudança no texto deve ser pensada para beneficiar a população carente e não perpetuar a desigualdade do sistema previdenciário.

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Durante debate na TV Estadão, Caetano disse que propostas de mudanças no texto certamente chegarão, mas classificou como essenciais tanto a manutenção da idade mínima de aposentadoria, que, segundo ele, acontece em todo o mundo, como a igualdade de regras para funcionários da iniciativa privada e servidores públicos.

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Ele citou que Brasil e Equador são os únicos países nas Américas sem idade mínima de aposentadoria. Também ponderou que o aumento da idade mínima proposta pela reforma será feito de forma gradual.

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Caetano repetiu que qualquer proposta de alteração na proposta de emenda constitucional deve levar em conta se ela ajuda a reduzir desigualdades, se reduz a economia prevista pela matéria e se vai trazer votos para sua aprovação no Congresso.

Além de Marcelo Caetano, o debate José Roberto Savoia, professor da USP, Nelson Marconi, professor da FGV-SP, e Otto Nogami, especialista do Insper.

Nogami destacou que mantendo-se o atual cenário de arrecadação e gastos com a Previdência, em dois anos, todo o Orçamento do governo estará comprometido com o pagamento do benefício da aposentadoria.

Caetano, no entanto, ressaltou que a atual reforma proposta pelo governo, mesmo após as alterações e flexibilizações realizadas pela equipe econômica, conseguiria dar ao governo federal uma autonomia orçamentária de dez anos.

“Reformar a Previdência não é apenas uma questão de responsabilidade fiscal, aponta Caetano, mas também social”, afirmou o Caetano, que destaca que apenas em 2017, os gastos com o benefício aumentaram 42% e chegaram a R$ 268 bilhões.

Como comparação, Marcelo Caetano explica que o rombo na Previdência de um ano seria o suficiente para comprar a maior empresa do País, a Petrobrás. “Essa reforma é preventiva. Olha o estado da Grécia. Não precisa nem cruzar oceano. Vai para Estados do Brasil que atrasam pagamento, não conseguem pagar salário.”

Otto Nogami, do Insper, destaca que a reforma está em pauta desde o início da década de 1990. Segundo ele, o assunto vem sendo postergado pelos governo e, por isso, hoje, o pagamento dos benefícios chega a 48% da receita do governo. “A grande questão é que existe a solução técnica, mas falta a vontade política”, afirma o professor.

Para José Roberto Savoia, professor da USP, a questão que envolve a atual legislação da Previdência, hoje, é que o benefício penaliza os gastos com saúde e educação. “No Brasil é difícil criar consensos disciplinares. É uma sociedade extremamente generosa mas que penaliza os gastos com saúde e educação. Os gastos dessa área estão crescendo, mas os benefícios estão sendo destinados para a Previdência.”