Marcelo Kayath, ex-presidente do Credit Suisse no Brasil e atual sócio da gestora QSM Capital, passou a ser cotado para o cargo de ministro da Fazenda em um eventual governo de Flávio Bolsonaro. A indicação tem apoio de banqueiros, investidores e empresários do mercado financeiro, que apresentaram a sugestão ao candidato na última quinta-feira em um jantar oferecido pelo próprio Kayath em sua casa, em São Paulo. As informações são da Gazeta do Povo.

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Estavam presentes no encontro Luiz Carlos Trabuco, do Bradesco, Milton Maluhy Filho, do Itaú Unibanco, Gilson Finkelsztain, do Santander, Roberto Campos Neto, do Nubank, Richard Gerdau, da Gerdau, e João Camargo, da Esfera Brasil. A ex-presidente da Caixa Daniella Marques, coordenadora da área econômica da campanha de Flávio, também participou e foi citada como possível ministra da Casa Civil.

O que chama atenção é o fato de Kayath ser um duro crítico de Jair Bolsonaro e ter apoiado o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na eleição de 2022. Na época, o executivo sustentou que o petista representava uma opção menos desestabilizadora para a economia e afirmava que Lula havia sido o melhor presidente para o mercado de capitais e para a Bolsa. Chegou a ser chamado de comunista por colegas investidores da Faria Lima.

Kayath sempre transitou por círculos de diferentes orientações políticas. Ao jornal Valor Econômico, contou que já recebeu em sua casa Ronaldo Caiado, ACM Neto e Fernando Haddad. Durante a campanha para a prefeitura de São Paulo em 2024, chegou a levar o atual ministro Guilherme Boulos para o gabinete de banqueiros amigos.

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Antes de entrar no mercado financeiro, Kayath construiu carreira como violonista clássico. Nos anos 1980, venceu dois dos maiores concursos de violão do mundo e chegou a gravar seis discos e fazer turnês pela Europa e Estados Unidos. No início dos anos 1990, decidiu interromper a carreira de concertista. Já formado em engenharia eletrônica pela UFRJ, seguiu para um MBA na Stanford Graduate School of Business, que concluiu em 1992.

Foi nos Estados Unidos que se aproximou do empresário Jorge Paulo Lemann e acabou sendo levado para o Banco Garantia. Quando o Garantia foi adquirido pelo Credit Suisse em 1998, Kayath permaneceu na instituição, onde construiu boa parte de sua carreira. Tornou-se um dos principais executivos da operação brasileira do banco suíço e, depois de deixar a instituição, passou a atuar como sócio da gestora QMS Capital.

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A aproximação com o campo lulista é anterior a 2022. Na eleição de 2018, Marcelo Kayath doou 200 mil reais à direção nacional do PT e 74 mil reais ao PSD. No pleito passado, o executivo chegou a ser citado por empresários como possível opção para o Ministério da Fazenda, cargo que acabou ficando com Haddad. Depois da eleição de Lula, seu nome continuou circulando em Brasília, cotado para presidir o Banco Central.

O histórico não passa despercebido por aliados de Flávio Bolsonaro, que veem com desconfiança o nome do executivo. De acordo com o portal Poder360, no entanto, Kayath tem dito a pessoas próximas que a economia sob o governo Lula está muito ruim e que se decepcionou com a condução do país.

Em maio, Kayath já havia recebido Flávio para um jantar com executivos do mercado financeiro em sua residência em Miami. O encontro foi organizado a pedido de um amigo em comum de ambos, que buscava reunir o senador com quem não havia votado em Bolsonaro na eleição de 2022. Após o evento ter sido divulgado pela imprensa, o gestor disse ao Valor que achou Flávio mais civilizado do que o pai e do que suas expectativas iniciais.