Depois de amargar queda de 0,2% no ano passado, o Produto Interno Bruto (PIB) deve fechar 2004 com crescimento de 4%. A projeção otimista é do economista Gustavo Loyola, ex-presidente do Banco Central durante o governo Fernando Henrique Cardoso. Loyola esteve ontem em Curitiba participando do Encontro Regional Melhores e Maiores da Revista Exame.

“A economia brasileira está em recuperação. Pelos números divulgados tanto pela produção industrial como pelo consumo, o PIB este ano deve crescer entre 3,5% e 4%”, afirmou Loyola. Segundo ele, a economia deverá ser puxada especialmente pelo setor externo, que tem “papel preponderante, principalmente o agrobusiness.” “Ao contrário do ano passado, o mercado doméstico também vem apresentando recuperação, tanto de bens de consumo duráveis como de bens de capital”, afirmou. “Mas a recuperação do investimento ainda é incipiente e aquém das necessidades”, lamentou.

Sobre as crises políticas, que vêm “arranhando” a imagem do governo – primeiro com o caso Waldomiro Diniz e, mais recentemente, com a reação contra o jornalista norte-americano do New York Times -, Loyola acredita que “o governo pagou um preço mais alto do que deveria.” “A reação aconteceu de forma exagerada. Houve uma crise amplificada justamente porque ele não soube lidar com a situação”, disse.

Para ele, também a demora do governo em decidir o valor do salário mínimo acabou prejudicando sua imagem no Congresso Nacional. Loyola acredita que o salário mínimo no valor de R$ 260,00 foi a decisão mais prudente. “O governo, embora tenha adotado a posição certa, não colheu os benefícios”, apontou.

Média 6

Nesses quase 18 meses de governo Lula, Loyola aponta que o presidente cometeu erros, mas também muitos acertos. Para ele, o lado positivo é representado pela política macroeconômica, com destaque para a política de responsabilidade fiscal e monetária. “Todo o pessimismo que se construiu no período eleitoral se mostrou sem base mais tarde”, disse. Já os erros, aponta, estão na incapacidade de criar ambiente favorável a novos investimentos e a incapacidade de implementar políticas setoriais, especialmente na área de infra-estrutura.