Sérgio Fagundes, que aos 10 anos catava papelão nas ruas de Londrina, no norte do Paraná, fundou a Insight Energy e projeta faturar R$ 100 milhões em 2026. A empresa fabrica e repara grandes geradores para hidrelétricas e termelétricas, como Itaipu e Tucuruí, e atende clientes como Petrobras e Copel. As informações são da Gazeta do Povo.
A trajetória de Sérgio começou em 1975, quando a geada negra destruiu os cafezais paranaenses e sua família migrou do campo para a cidade. Filho mais velho de sete irmãos, ele conheceu a fome de perto e começou a trabalhar aos oito anos para ajudar no sustento da família.
Enquanto outras crianças brincavam, Sérgio observava que vizinhos cujos pais eram eletricistas tinham melhor padrão de vida. Decidiu então que aquela profissão seria sua porta de saída da pobreza. Concluiu diversos cursos profissionalizantes no Senai e trabalhou 20 anos em uma única empresa, onde entrou como auxiliar e saiu como engenheiro elétrico.
Durante sete anos, ele destinou metade do salário ao pagamento da faculdade, enquanto dividia com a esposa e os filhos uma casa de apenas 40 metros quadrados. Formou-se em engenharia elétrica e acumulou experiência no setor.
Em 2010, Sérgio deixou a estabilidade do emprego para fundar a Insight Energy. Com um notebook velho e um plano de negócios de duas páginas, ele decidiu entrar em um nicho tecnológico dominado por gigantes globais como Andritz, GE e Voith.
A Insight Energy especializou-se em grandes máquinas geradoras de energia e hoje é a única empresa brasileira com capacidade técnica para competir nesse mercado. O sucesso despertou o interesse da WEG, que tentou adquirir a empresa em 2024, mas o negócio não foi fechado porque a Insight ainda não possuía a estrutura de governança exigida para uma auditoria internacional.
Sérgio critica o sistema tributário brasileiro, que classifica como um obstáculo ao crescimento. Ele destaca as multas aplicadas em caso de atraso no pagamento de parcelamentos tributários. Segundo o empresário, uma cobrança de 20% sobre o valor devido é suficiente para desequilibrar o caixa de muitos negócios.
A precariedade da infraestrutura nacional também impõe custos logísticos elevados. Sérgio compara o Brasil com potências como China e Estados Unidos, onde já visitou fábricas como a da Tesla. Para ele, a tecnologia brasileira é competitiva, mas o custo Brasil trava o país.
Apesar de ter movimentado cerca de R$ 300 milhões nos últimos cinco anos, Sérgio faz questão de enfatizar que faturamento não se confunde com lucro. Boa parte dos recursos transitou pelas contas da empresa para custear impostos, fornecedores e uma folha salarial milionária.
Com uma folha de pagamento de R$ 2 milhões mensais e 300 funcionários, ele ressalta que seu sucesso não é individual. Atualmente, o empresário conduz um processo de transformação interna para tornar a Insight Energy uma empresa alinhada às melhores práticas de governança e apta a passar por auditorias independentes.
