O rali do dólar perante uma série de outras moedas com a vitória inesperada do republicano Donald Trump nos Estados Unidos deve continuar nos próximos dias e pode levar o euro para suas baixas históricas, perto de US$ 0,8250, segundo o diretor global de estratégias de moedas do banco Brown Brothers Harriman (BBH), Marc Chandler. Segundo ele, indicadores técnicos sinalizam que haverá ainda mais ganho do dólar.

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“O dólar subiu ante todas as principais moedas na semana passada, com exceção da libra”, disse. O economista lembrou que a cotação da moeda americana subiu todos os dias da semana passada, após ter recuado nas quatro sessões anteriores. “Tínhamos previsto a venda de dólar se Trump fosse eleito, mas ficamos surpresos com a rapidez com que a moeda se recuperou”, explicou em relatório enviado a clientes.

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Na sexta-feira anterior à eleição americana, o euro valia US$ 1,1140 e já havia expectativa de que chegasse a um pico de US$ 1,15. Apenas durante a semana passada, o euro caiu 2,8%, tendo se desvalorizado todos os dias, e encerrou a semana em US$ 1,0830. Chandler salienta que a marca de US$ 1,08 já foi um nível psicológico no passado, mas o ponto de apoio agora parece ser bem mais frágil.

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Já a libra, lembra o BBH, teve alta de 0,75% ante o dólar e de 3,25% em relação ao euro. Contra o dólar, a libra esterlina começou a semana com um viés de desvantagem depois de subir por seis sessões anteriores (de 28 de outubro a 4 de novembro). Os indicadores técnicos consultados pelo banco não dão um sinal claro sobre a tendência da moeda, já que apontam para direções opostas.

O economista lembrou que, no meio de tantas mudanças políticas, o que tem sido referência para as cotações do dólar são a política monetária e a saúde do sistema financeiro. “O que é novo, e os investidores estão antecipando, é a política fiscal”, disse. Ele lembrou que, após vários anos de redução do déficit orçamentário, Trump e a então candidata Hillary Clinton prometeram estímulo fiscal.

Trump parece querer mais gastos com infraestrutura e cortes de impostos do que a democrata. “Sua equipe econômica, apesar de nomeações formais ainda não terem sido anunciadas, sugere estímulos fiscais de US $ 1 trilhão (aproximadamente 6% do PIB), que é maior até do que Sanders preconizou nas primárias”, comparou. O senador Bernie Sanders concorreu com Hillary à indicação do partido na corrida à sucessão de Barack Obama. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.