Aliocha Maurício/O Estado
Rogério Milani sempre calcula a diferença entre os dois combustíveis.

A escalada dos preços dos combustíveis começa a dar uma trégua para os motoristas de Curitiba, pelo menos no que tange o etanol. Depois de uma longa espera pelos efeitos da moagem da safra de cana-de-açúcar na bomba, alguns postos da capital já exibem valores entre R$ 1,85 e 1,99 no litro. Em alguns casos, a brusca redução no preço de etanol, até 0,30 no intervalo de uma semana, também contribuiu para pressionar para baixo a gasolina.

No Auto Posto Criança, bastou o etanol passar para R$ 1,99 por litro para a gasolina comum passar de R$ 2,75 para R$ 2,69. A gasolina aditivada seguiu pelo mesmo caminho, indo de R$ 2,71 para R$ 2,69. A frentista Josane Lara de Oliveira acredita que a tendência é haver mais queda nas próximas semanas. “O etanol ainda não caiu tudo que pode e desde que o preço do álcool passou para R$ 2,09, a gasolina começou a perder espaço. Tanto que agora que está a R$ 1,99 a gasolina também cedeu, por isso acredito que os dois combustíveis baixem mais um pouco”, aposta.

A proprietária do Auto Posto Vila Verde, Dulce Weiser, também já repassou para a bomba a redução no valor do etanol vendido pelas distribuidoras. “Está em R$ 1,94 e esperamos que baixe mais nas próximas semanas, afinal de contas, o etanol caiu no gosto dos consumidores. Eu mesma só abasteço com etanol que não polui e preserva o motor”, defende.

Entre os motoristas que precisaram abastecer neste sábado (07), a redução do valor do etanol foi recebida com surpresa e contestação. “Estava tão acostumado com o valor impraticável do etanol, que desta vez nem reparei no novo preço, mas já está compensando”, avalia o administrador Rogério Milani, que procura sempre calcular no próprio celular a diferença entre os dois combustíveis. “Deu 0,68%”, informou. Para quem que assim como Milani já havia se esquecido de fazer contas na hora de abastecer, vale lembrar que é só multiplicar o preço cobrado pelo litro da gasolina por 0,7. O resultado da conta é o valor máximo que deve ser pago pelo litro do álcool.

O engenheiro Newton Cruz preferiu a gasolina mesmo com a baixa no etanol. “Só volto para o etanol quando chegar a R$ 1,80”, conta. Ele não está otimista quanto ao recuo integral nos preços. “Depois que sobe muito o preço, nunca mais volta ao patamar inicial e a população aceitou pagar a mais pelo etanol”, critica.

A comerciária Leila França, por sua vez, revela que não abandona o etanol mesmo quando não compensa. “Rodo pouco e o etanol é bom para o meio ambiente, já a gasolina fede. Pena que passamos pelo absurdo de pagar muito caro pelo álcool mesmo vivendo em um país que é o maior produtor desse combustível. Isso não faz sentido”, lamenta.

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