Foto: Arquivo/O Estado

Nos moldes de Angra 1 e 2.

A Eletronuclear prepara um estudo sobre a viabilidade de instalação de 10 a 15 usinas nucleares no país entre 2030 e 2035, com investimentos em torno de US$ 30 bilhões. A idéia, anunciada pelo presidente da empresa, Othon Luiz Pinheiro da Silva, tem como objetivo principal manter o porcentual atual de 2,2% de participação da geração nuclear no sistema elétrico nacional (30% da energia térmica).

?O estudo é apenas uma projeção conservadora que será oferecida à EPE a respeito das oportunidades que o sistema nuclear pode vir a ter no País. Deixaremos claro que se o governo tiver intenção de aumentar este porcentual, os valores aumentam. Da mesma forma que se quiser diminuir, também é opção a ser revista?, disse o executivo, em entrevista após participar ontem do segundo dia do Energy Summit, no Rio.

Segundo ele, o estudo não deve constar na revisão do plano decenal do governo federal, que prevê um horizonte de, no máximo, 10 anos. ?Mas é preciso pensar o setor energético no país num prazo mais longo. Temos que preparar o suprimento para a demanda nacional, de acordo com a projeção de crescimento deste mercado no futuro?, avaliou. O presidente da Eletronuclear explicou que as novas centrais seriam diferentes das usinas de Angra dos Reis. Elas adotariam módulos secundários, cada um com capacidade de 500 MW, o que permitiria acionar a usina parcialmente com retorno financeiro eficiente. No total, a expectativa é gerar 15 mil MW, e as plantas estariam espalhadas em todo o País, inicialmente com maior concentração na região nordeste.

Na opinião de Silva, o investimento, impensável de ser estudado anos atrás, em razão das barreiras financeiras e ambientais, tornou-se mais viável a partir do momento em que o custo de geração hoje equivale ao do gás natural. ?Além disso, com a falta de gás, o projeto fica ainda mais interessante?, argumentou.

Segundo Silva, pelo menos 70% das obras e dos investimentos devem ficar no País. O presidente da Eletronuclear disse ainda que não acredita numa possível aprovação de Angra 3 ainda este ano, em razão do período eleitoral. Mesmo que isso ocorresse, entretanto, ele justifica que a usina não seria ofertada num leilão de energia nova, mas num esquema diferenciado de contratação de energia com Angra 1 e 2, que seria mais semelhante ao hoje existente com relação à usina de Itaipu, com toda a energia sendo adquirida por Furnas Centrais Elétricas.

De acordo com ele, a perspectiva é de que o custo da energia gerada a partir de Angra 3, segundo estudos realizados pela companhia, fique em torno de R$ 138 por MW, ante R$ 98,64 das usinas de Angra 1 e 2.