Investidores estrangeiros retiraram quase R$ 16 bilhões da Bolsa brasileira em agosto até a última quinta-feira (13). O movimento mostra o aumento da cautela com o Brasil. Somente na terça-feira (11), a retirada foi de R$ 4,7 bilhões, a maior saída diária desde fevereiro de 2021. As informações são da Gazeta do Povo.

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Um dos fatores que contribuiu para a saída foi a decisão do banco americano JPMorgan de rebaixar sua recomendação para as ações brasileiras. O banco mudou a classificação de overweight (acima da média, equivalente a uma recomendação de compra) para neutra. O relatório cita o fim do ciclo de redução de juros, a desaceleração do crescimento econômico e a deterioração do ciclo de crédito.

Para analistas ouvidos pela Gazeta do Povo, a saída de recursos não está ligada a um único fator. O mercado também demonstra preocupação com a proximidade das eleições deste ano, as incertezas sobre a condução das contas públicas a partir do próximo governo, a desaceleração da economia e a redução na concessão de crédito.

Mercado aumenta cautela com a disputa eleitoral

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Segundo Gabriel Mollo, analista da Daycoval Corretora, a preocupação aumenta com a proximidade das eleições e com a saída acelerada de capital estrangeiro. Ele avalia que, embora o movimento também possa ter componentes técnicos e de redução de posições, reforça a cautela com o Brasil.

Olívia Flôres de Brás, diretora-presidente da Magno Investimentos, afirma que o mercado já começa a levar as eleições de 2026 em conta. “O que aparece nos preços neste momento é um prêmio crescente de incerteza, especialmente sobre a condução fiscal e econômica a partir de 2027. A urna ainda não abriu, mas o risco eleitoral, sim”, diz.

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Balanços ruins e juros altos também pesam sobre a Bolsa

Além do cenário político e do risco fiscal, a Bolsa brasileira sofre com a repercussão da temporada de balanços do segundo trimestre, que trouxe leituras mais cautelosas e pressionou as ações de empresas.

Rebeca Nossig, estrategista de ações da Nomad, avalia que a combinação de resultados corporativos ruins e fuga de recursos internacionais é agravada pela manutenção da Selic em 14% ao ano. Esse patamar elevado garante retornos atrativos na renda fixa, drena o capital doméstico da renda variável e encarece o financiamento das empresas listadas.

A tensão no Oriente Médio também afasta investidores. A estagnação nas negociações de paz e a retomada de ataques no Estreito de Ormuz elevaram a tensão na região. A ameaça de retaliações econômicas e bloqueios navais por parte dos Estados Unidos contra o Irã fez os preços do barril de petróleo aumentarem novamente. Esse repique nos custos de energia reforça o temor de que a inflação global demore mais a cair, o que mantém os juros dos títulos americanos elevados e drena o capital estrangeiro que poderia vir para mercados emergentes como o Brasil.