O subsecretário da Dívida Pública, José Franco de Morais, informou nesta quarta-feira, 25, que a variação positiva no estoque da Dívida Pública Federal (DPF) em 2016 foi de 11,5%. Na comparação com dezembro de 2015, o acréscimo foi de quase R$ 320 bilhões, passando de R$ 2,793 bilhões para R$ 3,112 bilhões.

Ele destacou que a parcela do estoque a vencer em 12 meses caiu de 21,6% em dezembro de 2015 para 16,8% ao fim do ano passado. “O risco de financiamento no curtíssimo prazo caiu bastante ao longo do ano”, avaliou.

Franco apontou também aumento da participação de LFTs no estoque da dívida no ano passado que, segundo ele, traz vantagens do ponto de vista de custo da dívida. “O objetivo é que a gestão da dívida pública não adicione liquidez no mercado financeiro”, acrescentou.

O subsecretário comemorou o fato de os fundos de previdência e investimentos terem elevado suas participações no estoque dívida. “Isso é positivo, pois são investidores de longo prazo”, avaliou.

Ele também comentou que a redução na participação de investidores estrangeiros na dívida pública ocorreu em diversas economias emergentes, mas, no caso do Brasil, também esteve relacionada à realização de lucros no ano passado. “Entre todos os emergentes, os títulos da dívida brasileira tiveram melhor performance em 2016”, alegou.

Emissão de LFTs

José Franco e Morais disse também que a estratégia do Tesouro Nacional em emitir mais LFTs – título pós-fixado com rentabilidade atrelada à variação da taxa Selic – se deve à disposição do órgão em assumir um pouco mais de risco, tendo como contrapartida a redução do custo. “O plano é emitir um número maior de LFTs porque esse tipo de papel não pressiona o mercado de taxas de juros, como acontece no caso dos títulos prefixados”, argumentou.

Ele lembrou que, no início de 2016, havia bastante volatilidade, mas após estabilização do mercado houve uma maior emissão de prefixados. “O Tesouro faz análise entre custo e risco, mas tem objetivos de médio e longo prazo. Em todo momento há uma análise do balanço entre custos e riscos”, respondeu.

Franco lembrou que historicamente a dívida teve resgates líquidos anuais, porque o governo fazia superávit primário, o que mudou desde 2015, quando passou a haver emissões líquidas para financiar o déficit fiscal. Mas o objetivo do Tesouro, ressaltou, é realizar emissões líquidas próximas de zero.

“A tendência é de que o Tesouro se mantenha relativamente neutro em relação à injeção de liquidez no sistema. A ideia é de que o Tesouro faça emissões suficientes para a rolagem da dívida com o pagamento de juros”, completou.

Neste sentido, para o coordenador-geral de planejamento estratégico da dívida, Luiz Fernando Alves, a tendência é de que o crescimento do estoque da Dívida Pública Federal (DPF) avance apenas na medida do seu custo de carregamento. Ele lembrou que taxa de câmbio também ajudou a diminuir estoque da dívida externa em reais.