As empresas estatais federais registraram um déficit de R$ 7,8 bilhões no primeiro semestre de 2026, o maior valor para o período desde o início da série histórica do Banco Central em 2002. O rombo já supera o total de 2024, quando o déficit somou R$ 6,73 bilhões. As informações são da Gazeta do Povo.
O levantamento do Banco Central não inclui Petrobras, Eletrobras e instituições financeiras públicas. Entre as empresas consideradas estão Correios, Infraero, Casa da Moeda, Serpro, Dataprev, Hemobrás, Emgepron e Emgea. A metodologia usada pelo BC considera a variação da dívida das estatais, diferente do cálculo do governo que se baseia em receitas e despesas sem contar os juros da dívida.
Correios respondem por maior parte do rombo
Grande parte do resultado negativo vem dos Correios, que registraram prejuízo de R$ 8,5 bilhões em 2025. Segundo o governo, a estatal deve continuar com elevado déficit em 2026, mesmo com um plano de reestruturação em andamento. As medidas incluem programas de demissão voluntária, revisão dos planos de previdência e saúde, venda de imóveis ociosos e reajustes de tarifas.
Para reforçar o caixa, os Correios contrataram em dezembro de 2025 um empréstimo de R$ 12 bilhões com garantia do Tesouro Nacional. Em fevereiro deste ano, o Conselho Monetário Nacional autorizou a empresa a buscar mais R$ 8 bilhões em financiamentos com garantia da União.
Governo prevê déficit até 2030
A Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2027, enviada ao Congresso Nacional, já prevê que as estatais federais permaneçam no negativo até pelo menos 2030. Em maio, o governo autorizou os Correios a ampliar sua atuação comercial, passando a vender seguros, títulos de capitalização e serviços de telefonia por meio de convênios com instituições financeiras. A expectativa é criar novas fontes de receita para reduzir a pressão sobre as contas da empresa.
