Economia

Estatais federais registram déficit recorde de R$ 5,9 bilhões em 2026

Imagem mostra uma pessoa usando a calculadora do celular com uma planilha de gastos ao lado.
Decisões econômicas, inflação e mercado: entenda como os rumos da economia afetam o seu dia a dia. Foto: Imagem criada com IA.

As empresas estatais federais acumularam déficit de R$ 5,9 bilhões entre janeiro e maio de 2026, o pior resultado para o período desde o início da série histórica do Banco Central. O rombo supera o registrado em todo o ano de 2025, quando o resultado negativo foi de R$ 3,6 bilhões. Considerando também empresas estaduais e municipais, o déficit alcança R$ 7,4 bilhões. As informações são da Gazeta do Povo.

Analistas econômicos apontam má gestão, aparelhamento político e uso das estatais para desvios de recursos públicos como principais causas. Os problemas já haviam sido observados em governos anteriores e levaram à aprovação da Lei das Estatais em 2016, que estabeleceu critérios técnicos para a indicação de gestores. Com a mudança, a partir de 2018, as empresas passaram a registrar superávits anuais. O último resultado positivo foi em 2022, quando as estatais fecharam o ano com superávit de R$ 4,75 bilhões.

O cenário começou a mudar em 2023, quando o ministro do Supremo Tribunal Federal Ricardo Lewandowski suspendeu por liminar parte das restrições da Lei das Estatais, flexibilizando regras para indicações políticas. A decisão abriu caminho para que o governo recompusesse o comando de empresas públicas e do BNDES. Naquele mesmo ano, as estatais voltaram ao vermelho e encerraram o exercício com déficit de R$ 656 milhões.

Para o economista Izak Carlos da Silva, do Instituto Millenium, o rombo recorde tem a ver com um projeto deliberado que minimiza a gestão técnica em favor da ocupação política. Quando a nomeação de diretorias e conselhos volta a obedecer critérios de barganha política em vez de qualificação técnica, o resultado operacional é consequência previsível, afirma.

Elena Landau, economista e ex-secretária de Desestatização do BNDES, aponta a chamada filosofia do não lucro como outro fator. Para ela, os governos do PT partem da premissa de que, por serem estatais, essas empresas não precisam gerar lucro porque cumprem uma função social. Outro agravante é a interpretação ampliada do conceito de interesse público, que permite ao governo utilizar estatais para realizar investimentos fora da meta orçamentária.

Rafael Barros Barbosa, pesquisador associado do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas, avalia que a Lei das Estatais deixou uma lacuna com a ausência de mecanismos eficazes para responsabilizar gestores quando decisões políticas prevalecem sobre os interesses econômicos das companhias. O déficit não surge por acaso, ele é consequência das escolhas feitas para administrar essas empresas, destaca.

Os Correios representam um exemplo das dificuldades enfrentadas pelas estatais brasileiras. A empresa encerrou 2025 com prejuízo de R$ 8,5 bilhões e precisou contratar um empréstimo de R$ 12 bilhões, com garantia da União, para reforçar seu caixa. O próprio governo admite, na proposta da Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2027, que novos aportes públicos poderão ser necessários caso a situação financeira da empresa não seja revertida.

O Ministério da Gestão e da Inovação contesta o indicador do Banco Central. Segundo o ministério, o indicador mede apenas a necessidade de financiamento das empresas e não reflete sua real situação financeira. Em balanço divulgado no início de julho, o governo informou que as estatais federais registraram lucro líquido de R$ 169,4 bilhões em 2025. Landau ressalta, porém, que os dois conjuntos de números não podem ser comparados diretamente, pois medem universos distintos.

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