O Paraná deve encerrar o ano de 2004 com o saldo de empregos superior a 100 mil. Seria o melhor desempenho da série histórica promovida pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho, desde 1990. O melhor ano, até então, havia sido 2003, quando foram criados 62.370 novos postos de trabalho.
De janeiro a outubro deste ano, foram abertas no Paraná 148.390 vagas. Quase 66% mais do que o mesmo período do ano passado (89.338 vagas). Mas por conta da sazonalidade, o número de empregos vem caindo desde agosto: passou de 18,9 mil para 12,9 mil em setembro. Em outubro, nova queda; agora para 10.181 vagas. "Em novembro, deve cair ainda mais e, em dezembro, o saldo deverá ser negativo", apontou o economista Sandro Silva, do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos, regional Paraná (Dieese-PR). Para se ter uma idéia da sazonalidade, dezembro de 2003 registrou saldo negativo de 31 mil vagas. O motivo é atribuído especialmente à entressafra da agricultura.
Entre os setores que mais empregaram em outubro, destaque para o comércio varejista (3.228 vagas) – especialmente por conta das vendas de final de ano -, indústria têxtil e do vestuário (1.258), hotéis e restaurantes (1.092), indústria de produtos alimentares e bebidas (1.069) e indústria de material de transportes (603). Os cinco setores foram responsáveis por cerca de 72% das vagas geradas no mês. O número de empregos gerados em outubro (10.181) é 45% maior do que a quantidade gerada no mesmo mês do ano passado.
No período de janeiro a outubro, os setores que mais empregaram foram o comércio varejista (24.950 vagas), indústria de alimentos e bebidas (23.807) e agricultura e silvicultura (16.337). Juntos, os três setores foram responsáveis por 43,9% das vagas geradas.
Em relação a outros estados, o Paraná ocupou em outubro a 14.ª posição na variação percentual de empregos gerados. Mesmo assim, o desempenho ficou acima da média nacional: 0,59% contra 0,52%. No acumulado do ano, o Paraná ocupa a 7.ª posição (9,37%), também acima da média nacional, que é de 7,72%. No saldo de empregos, o Paraná ocupa a 3.ª posição (148.390 vagas geradas), atrás apenas de São Paulo (645.265) e Minas Gerais (217.075). (Lyrian Saiki)
Informalidade vem caindo desde 1999
Conforme dados divulgados ontem, pelo Dieese-PR, a informalidade na economia do Paraná vem caindo desde 1999. Segundo o supervisor técnico do Dieese-PR, Cid Cordeiro, em 1995 a informalidade do emprego (exclui autônomos e empregadas domésticas) era de 35,33%. Passou para 33,88% em 99, 32,96% em 2001 e 31,73% em 2002. No ano passado, a taxa foi de 30,12%.
A informalidade do trabalho – inclui trabalhadores por conta própria e domésticas – também vem caindo. Em 1995, a informalidade atingia 54,65% dos trabalhadores no Paraná. Em 99, o índice caiu para 53,92%; 52,39% em 2001; 51,16% em 2002 e atingiu 50,11% no ano passado.
Para Cid Cordeiro, a redução da informalidade na economia é bastante positiva. "A informalidade deteriora as relações de trabalho, serve como uma válvula de escape para a sociedade", apontou Cordeiro. "Representa o emprego sem proteção da previdência, o adiamento da aposentadoria", acrescentou. Segundo ele, os fatores que propiciaram a redução da informalidade foram o aumento da fiscalização, a queda na renda (que afetou os trabalhadores por conta própria) e a redução do emprego doméstico.
Desemprego
O Dieese-PR divulgou também o número de desempregados em 2003, conforme levantamento da Pnad (Pesquisa Nacional de Amostra Domiciliar). Segundo a pesquisa, o número de desempregados no Paraná passou de 369 mil em 2002 para 384 mil em 2003 – aumento de 4,13%. Da População Economicamente Ativa (PEA), cerca de 7,15% estava desempregada. Na opinião de Cid Cordeiro, no entanto, a taxa é subestimada, porque trabalhos temporários (bicos) e trabalhos não remunerados também entram nas estatísticas como ocupação. Na RMC, lembrou, a taxa de desemprego é de 9,36%, contra 6,28% do interior. (LS)
Desemprego em outubro bateu em 8,4%
A Região Metropolitana de Curitiba (RMC) registrou em outubro taxa de desemprego de 8,4%, o que correspondeu a aproximadamente 117 mil pessoas desocupadas. A taxa foi 6,4% maior do que a registrada em setembro (7,9%), quando 110 mil pessoas estavam desempregadas. Os dados fazem parte da Pesquisa Mensal de Emprego (PME), realizada em parceria com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e foram divulgados ontem, pelo Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes).
Em comparação com outras seis regiões metropolitanas pesquisadas pelo IBGE, a RMC teve a segunda menor taxa de desemprego, atrás apenas da Região Metropolitana de Porto Alegre (7,6%). A média das seis regiões ficou em 10,5%, sendo que Salvador (15,8%) ficou com a maior taxa, seguida por Recife (12,1%), São Paulo (11,2%), Belo Horizonte (9,6%) e Rio de Janeiro (8,5%). Importante destacar, no entanto, que a pesquisa do IBGE divulgada na última sexta-feira não inclui a Região Metropolitana de Curitiba. A comparação só é possível porque a metodologia utilizada é semelhante.
No comparativo com outubro do ano passado, a taxa de desemprego permaneceu praticamente igual: havia sido de 8,5%. O número de pessoas ocupadas em outubro foi estimada em 1,276 milhão, representando um pequeno decréscimo de 0,4% quando comparado ao mês de setembro. Em comparação a outubro de 2003, o número de pessoas ocupadas teve um acréscimo de 1,7%, ou seja, incremento de 21 mil pessoas.
Entre os setores que mais empregaram neste período (outubro de 2004 sobre outubro de 2003), destaque para administração pública, saúde, educação – crescimento de 13,7%, o que representa quase 24 mil vagas. Na outra ponta, o setor de serviços domésticos registrou queda de 9,8%.
Já a renda média ficou em R$ 930,60 – 0,7% maior em relação a setembro. Na comparação com outubro do ano passado, o aumento real foi de 10,4%. O aumento, no entanto, ficou concentrado no setor público (aumento de 10,7% em 12 meses) e praticamente estável no setor privado (1,6%). Em outubro, o rendimento médio do setor público ficou em R$ 1.323,20, enquanto o do privado, R$ 776,80.
Para novembro, segundo a diretora do Centro Estadual de Estatística Sachiko Araki Lira, a expectativa é que a taxa de desemprego na RMC se mantenha. "Mesmo porque já é bastante inferior em comparação com outras regiões metropolitanas", destacou ela. (Lyrian Saiki)


