A produção de grãos da safra paranaense 2010/2011 deve ficar 7% abaixo do total obtido na safra anterior devido à redução de 18% na área plantada de milho 1.ª safra (safra verão).

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A estimativa foi divulgada ontem por meio do relatório de acompanhamento de safra do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab).

Os dados do Deral dão conta que o Paraná irá finalizar a safra verão com 19,85 milhões de toneladas. Na safra passada, a produção de verão atingiu 21,38 milhões de toneladas.

“Essa redução significativa na área de milho refletiu no número final de grãos, porque o cereal tem uma produtividade fantástica e, ano a ano, vem agregando mais tecnologia na produção. Prova disso, foi o recorde obtido na última safra de verão que teve um rendimento de 7,6 quilos por hectares”, analisa a engenheira agrônoma do Deral, Margorete Demarchi. “Há produtores no Estado que têm investido tanto no cereal que a produtividade já apresenta uma faixa entre 14 kg e 16 kg por hectares. A tendência é de que, em um futuro próximo, o rendimento médio do milho paranaense fique em patamares próximos aos norte-americanos, ou seja, acima de 10 kg por hectares”, destaca Margorete.

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A queda da área da 1.ª safra de milho é um reflexo direto do espaço recorde destinado à a soja, que arrematou aproximadamente 4,5 milhões de hectares na safra verão.

“Como o desempenho da safra está progredindo sem nenhum problema grave, a tendência é que isso se reflita em um novo recorde de produção”, afirma Margorete.

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No verão passado, foram produzidos 13,9 milhões de toneladas de grãos da oleaginosa. Os números do relatório trabalham com uma estimativa um pouco abaixo, de 13,8 milhões de toneladas. Segundo o Deral, o dado só reflete a metodologia de cálculo aplicada.

Safrinha

Simultaneamente à colheita dos grãos de verão, o agricultor paranaense já começa a plantar o milho da segunda safra em todo o Estado, de acordo com as informações repassadas pelos mais de 20 técnicos do Deral distribuídos nas regionais que fazem o levantamento.

Vale destacar que, tanto o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) quanto a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), utilizam dados do Deral para formular as respectivas estimativas de safra.

A safrinha de milho deve crescer pelo menos 11%. É um comportamento natural para compensar a redução de 18% na safra verão do cereal. O aumento no espaço destinado ao plantio de milho na safra de inverno poderá ser ainda maior, já que os triticultores podem preferir plantar o cereal.

Eles ficaram bem insatisfeitos com a rentabilidade da safra passada de trigo, principalmente porque o governo desistiu de garantir o preço mínimo no meio do ciclo.

Tal decisão dependerá do comportamento dos preços do milho no mercado interno e internacional, que tendem a disparar com a provável redução na oferta do cereal, uma vez que caiu a área de plantio tanto aqui quanto nos Estados Unidos.