O modelo de concessões proposto pelo governo federal para alavancar os investimentos privados em infraestrutura foi alvo de críticas de economistas e pesquisadores no Seminário Ibre de Infraestrutura – Gargalos e Soluções na Infraestrutura de Transportes Brasileira. No setor ferroviário, as mudanças propostas são consideradas de “alto risco” em função das incertezas nas garantias oficiais.

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“O modelo tem se mostrado inviável”, afirmou o coordenador de Economia Aplicada do Ibre, Armando Castelar, no evento desta segunda-feira da Fundação Getulio Vargas (FGV), no Rio. “Primeiro, o governo começou com tarifa baixa e retorno baixo. Depois, para atrair investidores, começou a dar outros subsídios, que são mais perigosos de garantir em longo prazo”, avaliou.

Para a pesquisadora da FGV, Joísa Dultra, “as taxas de retorno não são compatíveis com a sustentabilidade econômica e financeira do negócio. O contrato não assegura claramente os retornos. Ficar brigando por causa de 1% ou 2 % de Taxa Interna de Retorno (TIR) atrasa a licitação e não estimula a concorrência”.

Castelar também criticou a demora em definir uma solução. “No longo período de negociação dos termos e taxas de concessão, a situação mundial está mudando. Há um ano, essas medidas funcionariam, mas o cenário mudou adversamente.”

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Os pesquisadores também apontaram problemas como os riscos na execução dos projetos, o desconhecimento do modelo e a insegurança na regulação. O governo federal aposta nas concessões para alavancar os investimentos e a economia do País.

“Por mais que vejamos no discurso do governo de incentivar o investimento de infraestrutura, o mercado não encontra uma resposta efetiva”, declarou o diretor do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), Luiz Guilherme Schymura.

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Segundo ele, em dois anos, o País caiu 21 posições no ranking de investimentos em infraestrutura no ranking do Fundo Monetário Internacional (FMI), alcançando a 128ª posição entre 177 países. “O Brasil está com porcentual de estoque de capital de infraestrutura baixíssimo, com 16% do PIB (Produto Interno Bruto), ante 58% da Índia, 64% dos EUA e 76% da China.”

Os pesquisadores apontaram uma paralisia no setor de hidrovias, que representam menos de 15% no transporte de cargas, e ineficiência em medidas adotadas em outros setores, como o portuário. “Medidas para destravar operação dos terminais, não avança na flexibilização das relações trabalhistas. As coisas estão mais atrasadas”, afirmou Eduardo Guimarães.