O Ministério da Fazenda considera que a queda da atividade econômica no primeiro trimestre deste ano, que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulga hoje, é um dado defasado e superado porque a economia brasileira já dá sinais de recuperação e deve crescer 0,5% no segundo trimestre de 2009, em relação ao período anterior. Esse cenário mais favorável tem sido percebido desde o fim de março e deve ter continuidade no segundo semestre de 2009, na expectativa da equipe econômica.

Isso foi o que o ministro Guido Mantega apresentou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva para neutralizar a notícia de que o País entrou em recessão técnica, ou seja, por dois trimestres seguidos, houve queda do Produto Interno Bruto (PIB). Trata-se, portanto, na avaliação de Lula e sua equipe, de um resultado “olhado pelo retrovisor” que já não reflete a realidade do País.

Essa avaliação positiva, no entanto, não ameniza as pressões nos bastidores para que o Banco Central (BC) seja mais ousado e corte a taxa Selic, o juro básico do País, além dos 0,75 ponto porcentual defendido majoritariamente pelo mercado. Ontem, em São Paulo, Mantega falou que não está satisfeito com uma taxa de juro real (descontada a inflação) de 5% e, no fim do dia, anunciou uma redução no preço do óleo diesel. Segundo um assessor, a escolha da data foi proposital para oferecer ao BC mais um indicativo de que não existe pressão inflacionária. A diretoria do BC se reúne hoje e amanhã para discutir um novo corte na Selic, atualmente de 10,25% ao ano.

“O PIB do primeiro trimestre será negativo. Isso todo mundo sabe. Pode haver um impacto político e psicológico, mas a percepção do governo é que há um ajuste na economia, que a inflação está sob controle”, disse uma fonte palaciana. “Os preços estão baixando. Não há pressão de inflação. Ao contrário, as estimativas colocam a inflação dentro da meta deste ano”, disse ainda um assessor.