Entregadores de aplicativos criticam as medidas anunciadas pelo governo federal para a categoria. Eles afirmam que o programa de crédito para compra de motos elétricas e a tentativa de regulamentação do setor não resolvem o principal problema: a baixa remuneração. As informações são da Gazeta do Povo. Lideranças da categoria apontam que as ações têm viés eleitoreiro e expressam forte desgaste com o presidente Lula e o ministro Guilherme Boulos.
O programa Move Brasil oferece uma linha de crédito de cerca de R$ 4 bilhões para financiamento de motos e bicicletas elétricas, com juros subsidiados e prazos de até 48 meses. No entanto, trabalhadores relatam dificuldade de acesso ao crédito devido a dívidas ou restrições bancárias que impedem a aprovação do financiamento.
Uma experiência anterior com motoristas de carro serviu de alerta. Em um teste com trabalhadores sem restrições financeiras, os bancos ofereceram financiamento de apenas 25% do valor do veículo. Como os motoristas não tinham dinheiro para a entrada, ninguém conseguiu concluir a compra. Isso gerou ceticismo sobre a nova linha de crédito para motos.
O projeto de regulamentação travou na Câmara dos Deputados após resistência das empresas e dos próprios trabalhadores. O principal ponto de conflito foi a proposta de remuneração mínima de R$ 10 por entrega. Lideranças afirmam que o governo focou apenas em valores por corrida e no recolhimento do INSS, deixando de fora discussões sobre proteção social, piso salarial real e jornada de trabalho.
A relação entre a categoria e o ministro Guilherme Boulos está desgastada. Entregadores acusam Boulos de usar entidades representativas para promover interesses eleitorais. O ativista Paulo Galo, antigo aliado do ministro, rompeu publicamente com ele. Representantes afirmam que Boulos criou uma narrativa única para as negociações que não refletia os anseios da base.
Para as associações, o governo tenta resolver um problema de renda com mais endividamento. Eles argumentam que, sem melhorar o pagamento feito pelas plataformas como iFood e 99, oferecer empréstimos apenas empurra o trabalhador para uma armadilha financeira. Além disso, o aumento temporário de ganhos trazido por novas empresas chinesas costuma durar pouco, tornando arriscado assumir dívidas de longo prazo.
