Comércio e indústria classificaram como “positiva” a redução da taxa Selic, nesta quarta-feira, para 7,25%.

O corte na taxa básica de juros, de 0,25 ponto percentual, é o décimo seguido feito pelo Comitê de Políticas Monetárias do Banco Central. Para a CNI (Confederação Nacional da Indústria), a medida “é fundamental” para a retomada da indústria.

De acordo com a entidade, “os sinais de recuperação da economia ainda não são robustos o suficiente” e as ações tomadas “precisam ser reforçadas”.
Paulo Skaf, presidente da Fiesp, disse que o Banco Central acertou ao manter o processo de redução da Selic.

“Não é hora de mudar os sinais da política econômica, sob pena de abortar o processo de retomada e, em 2013, o país crescer menos que o mundo e que a América Latina, como ocorreu em 2011 e ocorre novamente em 2012”, disse. Skaf ainda criticou a forma que o governo tem usado para estimular a economia -como a redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) para automóveis e linha branca-, que, segundo ele, são “mecanismos de efeito transitório”.

As entidades ligadas ao comércio também aprovaram a queda na Selic.
A CDNL (Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas ) e o SPC (Serviço de Proteção ao Crédito) avaliam que a redução dos juros é importante para impulsionar, sobretudo, a atividade industrial.

“São medidas que geram empregos naturalmente e reduzem o descompasso entre oferta e demanda, dando fôlego também para o combate à inflação”, disse o presidente da CNDL, Roque Pellizzaro Jr.

A Fecomercio-SP (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo) destacou que a redução dos juros também deve reduzir os custos da dívida pública. Para a entidade, a medida foi “positiva” e pode proporcionar economia de até R$ 5 bilhões para o governo.

A federação lembrou, entretanto, que a redução deixa a Selic “próxima do limite”, já que a inflação medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) se aproxima de 5,5%.

A Apas (Associação Paulista de Supermercados) comemorou a queda nos juros, mas salientou que é importante acompanhar dois indicadores: a inadimplência e a inflação, “uma vez que ambas podem frear o consumo caso haja o descompasso entre renda/consumo”.

“A elevação da inadimplência tanto das pessoas físicas quanto jurídicas, aliada ao aumento da inflação, pode afetar a economia de duas maneiras: reduzindo o consumo das famílias e postergando os investimentos por parte das empresas”, disse João Galassi, presidente da entidade.

Sindicatos

A Contraf-CUT (Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro) aproveitou para cobrar redução também nos juros praticados pelos bancos.
A entidade avalia que as quedas na Selic têm sido insuficientes para expandir e baratear o crédito para pessoas físicas e jurídicas.