Oito em cada dez famílias brasileiras estão endividadas neste momento. A proporção de lares com dívidas a vencer atingiu 82% em julho de 2026, o maior índice já registrado pela Confederação Nacional do Comércio. O recorde ocorre mesmo após três meses do lançamento do Desenrola 2.0, programa federal criado para reduzir o endividamento da população. Entre as famílias de baixa renda, a situação é ainda mais crítica: quase 85% têm contas a pagar. As informações são da Gazeta do Povo.
Os dados refletem os primeiros três meses do Desenrola 2.0, programa lançado pelo governo federal para tentar reduzir o endividamento das famílias. Apesar do aumento no endividamento, a inadimplência geral recuou levemente de 29,9% para 29,8% em julho e ficou abaixo dos 30% registrados um ano antes.
O relatório aponta que a parcela de consumidores que destina mais da metade dos rendimentos mensais ao pagamento de dívidas subiu para 19%, o maior nível desde março, enquanto o comprometimento médio alcançou 29,5% da renda. Entre os brasileiros que recebem até três salários mínimos, o endividamento chegou a 84,9%, acima da média nacional e também em nível recorde.
Famílias de baixa renda têm maior comprometimento da renda
Esse grupo foi o único a registrar aumento das contas em atraso, que passaram de 38,3% para 38,5% em um mês. Além disso, o percentual de famílias que afirmam não ter condições de quitar as dívidas subiu de 17,6% para 17,8%. Fabio Bentes, economista-chefe da CNC, avaliou que o elevado comprometimento da renda mostra que a recuperação da capacidade de consumo das famílias será gradual.
Bentes citou que a redução da taxa Selic para 14%, decidida na véspera, pode melhorar gradualmente as condições de crédito, mas não imediatamente.
Pesquisa registra queda no tempo médio de atraso
A Peic também trouxe alguns sinais de melhora operacional, como a queda para 64,6 dias do tempo médio de atraso das contas, o menor nível desde dezembro de 2025. A fatia de inadimplentes com atraso superior a 90 dias recuou para 48,5%, menor percentual desde agosto do ano passado.
No indicador de percepção, 35% dos entrevistados disseram estar pouco endividados, ante 34,2% em junho. Já os que se consideram muito endividados ficaram praticamente estáveis, passando de 17,2% para 17,1%. Entre os lares com renda superior a 10 salários mínimos, o endividamento aumentou para 72%, mas a inadimplência caiu de 15,4% para 15,1%.
