Oito em cada dez famílias brasileiras estão endividadas. O índice chegou a 82% em julho e bate recorde pelo sexto mês seguido, segundo pesquisa da Confederação Nacional do Comércio. O cartão de crédito lidera as dívidas, afetando 85,3% das famílias endividadas. Quem ganha até três salários mínimos sofre mais: 84,9% têm contas em aberto. As informações são da Agência Brasil.

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Os dados fazem parte da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada nesta quinta-feira (6) pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). O levantamento é feito com 18 mil famílias de todo o país.

São consideradas dívidas com cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, crédito consignado, empréstimo pessoal, cheque pré-datado e prestações de carro e casa. O tempo médio de pagamento em atraso ficou em 64,6 dias em julho, em queda desde abril, quando estava em 65,1 dias.

As famílias têm, em média, 29,5% do orçamento comprometido com dívidas. O tempo médio de comprometimento ficou em 7,2 meses, contra 7,1 meses um ano atrás.

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O cartão de crédito é o principal responsável pelo endividamento, atingindo 85,3% das famílias endividadas. Em seguida aparecem carnês (16,1%), crédito pessoal (13%), financiamento de casa (9,6%) e financiamento de carro (9%).

O endividamento é maior entre famílias de renda mais baixa. Entre os lares que recebem até três salários mínimos, 84,9% têm dívidas. Nas famílias com renda superior a dez mínimos, a proporção cai para 72%. A inadimplência atinge 38,5% das famílias mais pobres e 15,1% das mais ricas.

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A pesquisa foi divulgada um dia após o Banco Central (BC) reduzir a taxa Selic de 14,25% para 14% ao ano. Para o economista-chefe da CNC, Fabio Bentes, a queda dos juros tende a contribuir para a diminuição do custo das novas operações de crédito, mas sem efeitos imediatos.

A CNC projeta que o endividamento deve seguir em alta nos próximos três meses, atingindo 82,6% em setembro. A inadimplência também deve subir, fechando setembro em 30,3%.