Economia

Empresas enfrentam desafios para se adaptar à reforma tributária

Ilustração sobre economia e finanças com a logo da Tribuna do Paraná no canto superior esquerdo. A imagem mostra moedas empilhadas, uma calculadora, cédulas de real, gráficos financeiros, indicadores de crescimento e um caderno com relatórios. Ao fundo, aparece um prédio institucional desfocado com a bandeira do Brasil, simbolizando decisões econômicas, mercado financeiro, impostos, programas governamentais e economia popular. Design clean, moderno e voltado para conteúdos de notícias econômicas.
Decisões econômicas, inflação e mercado: entenda como os rumos da economia afetam o seu dia a dia. Foto: Imagem criada com IA.

A rede varejista Minipreço, que possui 18 lojas em dez cidades brasileiras, mobilizou áreas contábil, fiscal e de tecnologia para se adaptar à reforma tributária, mas ainda não se considera pronta. A empresa simula operações de compra e venda para testar documentos fiscais e a integração entre sistemas, enquanto acompanha mudanças na legislação. As informações são da Gazeta do Povo.

Desde 3 de agosto, parte das notas fiscais eletrônicas passou a destacar o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS). Esses são os novos tributos que substituirão impostos atuais em um cronograma que se estende até 2033. A Receita Federal trata 2026 como um ano de testes, sem cobrança efetiva.

Adequar a nota fiscal é apenas uma parte do processo. As informações que aparecem no documento dependem de cadastros, classificações fiscais, regras tributárias e sistemas corretamente parametrizados. “A nota fiscal é apenas a ponta do iceberg”, diz Tiago da Silva, gerente contábil e fiscal do Grupo Minipreço.

Levantamento da Omie mostrou que 50% das micro, pequenas e médias empresas ainda não haviam iniciado o planejamento para a reforma ou não compreendiam seus efeitos práticos sobre os negócios.

O advogado tributarista Luís Garcia, sócio do Tax Group, estima que um projeto consistente demande de três a 12 meses apenas para diagnóstico e parametrização inicial. O prazo depende da complexidade da operação e da estrutura disponível dentro da empresa.

Em 2027, começa uma nova etapa da transição, com o fim do PIS e da Cofins e o início da cobrança da CBS e do Imposto Seletivo, que incidirá sobre produtos considerados prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente.

Para a vice-presidente do Instituto Brasileiro de Estudos Tributários (IBET), Priscila Souza, uma das dificuldades está na convivência entre as regras atuais e as novas durante o período de transição. “O desafio da reforma tributária é operar com o que podemos denominar de dúplice sistema de tributação”, diz.

O secretário especial da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, explica que durante 2026 não haverá aplicação de penalidade ao empresário que estiver avançando gradualmente na adequação e demonstrar preparação para 1º de janeiro de 2027.

Charles Gularte, sócio-diretor de contabilidade da Contabilizei, observa que grandes companhias normalmente dispõem de sistemas integrados de gestão e equipes fiscais dedicadas. Pequenas empresas precisam absorver a mudança com menos recursos internos.

Silva, da Minipreço, chama atenção para outro ponto: “A maior preocupação não é a Minipreço isoladamente, e sim a cadeia inteira estar pronta ao mesmo tempo: fornecedor, ERP, transportadora e, principalmente, o governo. Todo mundo precisa falar a mesma língua”.

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